Sobre relembrar mas também reinventar

 

Um tbt de dezembro de 2023.

Eu já estava grávida, mas saberia só 2 dias depois. Fomos pro lago a tarde, porque a ressaca tava braba.

Na véspera desse dia tive um date completo com marido. 
Ainda no bar celebramos que a tristeza de não ter mais filhos finalmente tinha passado, fazia 1 ano e meio da última tentativa de FIV e estávamos de novo namorando e fazendo planos.
Falamos literalmente a frase:
“Já que não vamos ter mais filhos, o que vamos fazer agora. Quais nossos novos projetos e sonhos?”…
Ele queria (mais uma) bicicleta nova, pensamos numa próxima viagem pra Itália ou Escócia, ou os 2. Eu queria um computador novo, ia viajar pro México com uma turma de mulheres no Dia de lós muertos e estava pensando se no meu niver de 40 anos ia fazer um festão no Brasil ou ia pra Índia.

Saindo do bar eu ainda queria beber mais, o que é raro pra mim e já coloco na conta de desejo, porque tive uma vontade louca de caipirinha, que ele fez e tomamos também, pra agravamento da culpa materna.
Mas diz a lenda que enquanto a mãe não sabe, Deus cuida.

E então no dia seguinte, eu bati essa foto, e no dia depois minha m3nstru4çã0 não desceu.
A foto me chamava toda hora. Tinha uma luz nela.
Tinha uma luz em mim.
Duas semanas antes, durante uma meditação, meu corpo pediu pra abrir o peito e o quadril, e eu só obedeci.
Comentei na terapia, que uma onda me percorreu, levando um excesso e preenchendo com algo novo, e quando olhava pra essa foto era a mesma sensação.
Foi ela que me fez querer fazer um teste. E é ela que me faz lembrar que a vida é mistério.
Que a gente aqui na nossa pequeneza fica tentando fazer planos e controlar tudo, e que na real a próxima virada pode estar mais próxima do que imaginamos. Pra cima ou pra baixo.

A gravidez ou o câncer. Às vezes a gravidez e o câncer.

Naquela mesma semana também tive uma notícia ruim sobre a saúde de um dos maiores amores da minha vida.
E passei meses tentando entender porque a vida fez assim.
Mas agora, nesse fim de gestação. Mais pra lá que pra cá, mais inconsciente que tudo. Os questionamentos vão dando espaço pra uma aceitação calma. Não submetida ou fruto de uma resignação tóxica. Mas serena e calma, no culto a presença de cada dia. E na soltura de uma necessidade de entender.
Não é uma sensação só boa, junto com ela também estou trocando palavras, esquecendo coisas, misturando assuntos e histórias e dormindo mais que nunca. Então desejo a quem me lê, só a primeira parte 🤭.

E esse não é um texto com necessariamente uma conclusão, mas é um convite a contemplação do que rola na nossa vida. Do que a gente vê, mas principalmente do que tá acontecendo as margens. Do que pode não ser nada mas pode ser tudo também.
Igualmente não é um texto sobre esperança, porque na verdade antes dessa virada teve uma desistência e uma sensação de fracasso gigante, um luto pesado, que eu não desejaria pra ninguém, mas como não depende de mim, só posso afirmar que uma vez vivido, isso também tende a passar.

É só um texto, sobre quão original é o roteirista da vida. E pra vocês não esquecerem disso.

E pra legitimar minhas palavras, que você fique com Cecília Meirelles:

“Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.”

Caminhemos






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