Era uma vez o alecrim dourado
Todos vocês devem conhecer alguém que parece com o personagem dessa nossa história.
Alguém que não quer fazer terapia, não acredita no processo, não valoriza, não estudou o suficiente o tema para saber da importância da psicologia e da saúde mental para nossa qualidade de vida, ou está num processo de tanto adoecimento que mesmo racionalmente entendendo os beneficios, se nega a "tomar o remédio" que precisa.
Até aí tudo bem, ninguém precisa gostar de tudo, ninguém tem obrigação de ter informações sobre todos os temas, ninguém precisa valorizar algo que não conhece ou muito menos ainda não fez uso. E fazer gestão da própria saúde é prerrogativa pessoal.
Será mesmo?
Mas o que torna o nosso personagem Alecrim Dourado tão especial, é que apesar de tudo isso aí, ele colabora muito com o desenvolvimento da psicologia, porque normalmente para dar conta da convivência com ele, normalmente tá a família toda na terapia, e não só, os colegas de trabalho ou funcionários, os amigos chegados também levam ele pra terapia, talvez mesmo alguns desconhecidos que as vezes podem cruzar seu caminho em algum momento especialmente intenso, também levam ele pra terapia. O meme tá pronto.
Ele é conhecido como o inconveniente, o chato, o grosseiro, sincerão, perco o amigo mas não perco a piada, o dedo destroncado, o fala mesmo, o sabe tudo, o negativo, o rabugento, o nasci assim vou morrer assim, o pavio curto, o explosivo, o não me toques, o melindroso, o sem noção e por aí vai.
Eu particularmente, aprecio a movimentação e o apoio que o senhor Alecrim traz pra nossa área e profissão, mas tenho muita compaixão de todos aqueles que convivem com ele e de vez em quando dele também.
E antes que possamos rir, e identificar quem na nossa vida pode ser o Sr Alecrim, vamos garantir que não sejamos nós né.
Sabe aquela história, 1 entre 5 amigos, se você não tem um amigo assim, talvez seja você... pois é.
Mas brincadeiras a parte, essa é uma história extremamente comum e muitas vezes sem final feliz.
E eu acho injustiça o nome dele ter se popularizado como alecrim que é uma plantinha tão querida e cheia de benefícios, mas se não fosse assim não teria ironia né.
E a parte séria disso, é que normalmente essas pessoas estão em alto nível de sofrimento, com um nível de tolerância a si mesmo que é patológico, cronificando não só suas questões mas também adoecendo seus relacionamentos em geral, o que pode estar construindo mais um agravante a longo prazo, caracterizado pela solidão, ou pior, o adoecimento de todo o entorno.
Por trás desse comportamento, podem existir dores imensas e uma lamentável desistência de melhora.
Uma desesperança disfarçada de arrogância.
Como eu não sei quem me lê, acho que vale a pena deixar algumas perguntas:
Alguém do seu entorno já te sugeriu um processo terapêutico?
Você já pensou que podem existir maneiras mais leves e eficientes de fazer as mesmas coisas?
Já se sentiu sendo o problema de uma relação e situação e não soube o que fazer?
E por último, como seria saber que você é motivo de dor e adoecimento para o seu entorno e para as pessoas que você ama?
Não quero aqui responsabilizar ninguém pelo próprio adoecimento, mas quero lembrar sim, que não escolher é também uma escolha e que somos responsáveis por nós e pela parte que nos cabe em nossas relações.
Quando não temos recursos sozinhos, a ajuda é o melhor recurso.
Sempre existem caminhos,
Caminhemos.
Perfeito!
ResponderExcluirQue reflexão!!!!!
ResponderExcluirDisse tudo
ResponderExcluirMuito bom, bem escrito e elucidativo
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