Árvores, presente e presença.
Estou
sumidinha daqui faz um tempo, mas vou aproveitar um tempinho que tive essa
semana para conversar um pouco com vocês sobre o presente.
Estamos
aqui passando pelo Outono, naquela época em que a natureza começa a se recolher
para o inverno, as folhas secam e antes de cair proporcionam verdadeiro espetáculo
de cores e nuances. Uma experiência visual riquíssima.
Os cheiros
também mudam, algo como um mato seco, mas levemente adocicado. Os sons normalmente estão preenchidos pelo vento, que compõe melodias distintas, ora assustadoras, ora pacificadoras; gosto de chamar de sons de transição. E ao caminhar
sobre a grama que muitas vezes está coberta por folhas secas, sentimos o estalar delas sobre nossos pés, uma experiência
sensorial que se você ainda não teve, eu recomendo. Guarde na sua agenda para o
próximo outono, caso você esteja em outra estação nesse momento. E se é outono
onde você está, se permita ir lá fora em algum momento dessa semana para
observar um pouco todas essas sensações.
Nosso corpo
é equipado com maravilhosos receptores de experiência, também conhecidos como
sentidos.
Eles nos
oferecem sensações, que após decodificadas viram percepções e interpretações.
A questão é
ao mesmo tempo que temos essa supermáquina, temos uma tendência a automatizar
os processos. E somado a isso, não conseguimos de maneira inteligente
selecionar o presente como tempo constante de realização de vida. Passamos
parte do nosso tempo no passado, e parte do nosso tempo no futuro.
E ficamos
desesperados quando nos damos conta disso, essa percepção é como um reconhecimento de não
estarmos vivendo como deveríamos ou de perda de tempo, de vida.
Mas calma lá,
se você tem sentido isso, já é um bom ponto de partida.
Voltando ao Outono, quantas arvores você contemplou a beleza na última semana,
no último mês ou no último ano.
Pode ser
também uma arvore florida, de forma inusitada, cheirosa, vale qualquer coisa.
Quantas
vezes você esteve presente no seu corpo e experimentou a sensação de estar vivo
e integrado com a natureza nos últimos tempos?
Isso pode
ser uma causa importante de adoecimento, e tanto quanto a histeria na época de
Freud, ou a depressão nos últimos tempos, vem cada vez mais aparecendo nos
consultórios e nas discussões de saúde mental.
A neurociência
tem se dedicado muito nesse sentido, a encontrar soluções e alternativas para
lidarmos com isso, e a mais eficiente delas tem sido a prática de Mindfulness .
Temos
muitas maravilhas para falar sobre o tema, mas o mais importante sem dúvida,
tem a ver com o fato de que estudos recentes comparando a eficiência de antidepressivos
e programas de mindfulness, constataram empate na eficácia e funcionalidade no
tratamento de depressão reincidente. Isso não significa que você deve interromper seu tratamento psiquiátrico e cortar os medicamentos, mas que sim, existem alternativas interessantes e outras possibilidades de cuidado e tratamento.
Há 80 anos
atrás, se você estivesse correndo na rua, provavelmente alguém te abordaria
perguntando de quem você está correndo, ou o que aconteceu. Não tínhamos como
valor de saúde a prática de atividade física.
Da mesma
maneira, a prática de Mindfulness é sem dúvida a próxima revolução sobre saúde
física e mental.
Falaremos
mais sobre isso em breve, mas por hoje, se convide a estar presente, onde e como
estiver.
Quantas vezes
lembrar nesse dia ou semana, faça uma respiração mais profunda, sinta seus pés
no chão e coluna, olhe em volta e depois continue nas suas atividades.
Obviamente nem sempre o presente é prazeroso, e por isso muitas vezes nos refugiamos no passado ou futuro, como lugares que nos protegem do sentir. Além de ser ilusório, é uma ação que pode trazer inúmeros prejuízos ao nosso sistema, físico e mental.
Mais importante
do que progredir rapidamente, é começar algo que possa te conduzir a lugares
melhores dentro de você.
E claro, ler sobre o tema é algo muito interessante, mas mais do que isso, a prática e culto ao presente são realmente muito importantes. O acesso apenas racional dessas informações pode ser comparado a ir em um restaurante e só ler o cardápio, não mata a sua fome nem tampouco te deixa mais confortável, pode inclusive te trazer mais desconforto se você ainda não consegue separar um tempo para experimentar uma prática.
Querem
saber mais sobre o tema? Tragam suas dúvidas e comentários.
Além de práticar
pessoalmente meditação há alguns anos, terminei ontem o último módulo de Mindfulness
na minha especialização de Neurociência, estou apaixonada pelo tema e muito
tentada a oferecer algo nesse sentido nos próximos meses.
Falaremos
mais em breve!
Caminhemos,
Mari.
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