Portaria E

Gente, papel em branco sem inspiração é uma desgraça.

É um coringa malévolo, um portal pro inferno.

E um dos acessos do inferno mais comuns pra mim, é a portaria E de exigência.

No caso, exigência de produzir uma escrita, conteúdo já que o blog agora faz parte do Instituto e de tempos e tempos eu vou precisar dar o ar da graça.

Mas aí pensando nisso, eu que sou facinha de organizar pensamento de um jeito que se possa ler, já achei um trem bom de compartilhar, que resolve um pouco o lance de que tenho que produzir (porque então obviamente produzo), ao mesmo tempo que me acalma, porque encontro um sentido e aí dá vontade de fazer isso.

Ufa, só por hoje não me venderei, mas como vocês podem ver me negociei. Negociei comigo. Nada de novo sobre o céu. Normalmente, chamamos isso de vida real mesmo.

E minha reflexão, tem a ver com a dificuldade de estar on-line, de produzir conteúdo, de lutar com um algoritmo x, e fazer um estilo que até ontem não me despertava o menor tesão. Pera, ainda não desperta.

Deve ter um jeito de fazer isso sem vender a alma ao capeta.

Pensei muito sobre ao organizar a estrutura do Instituto, e já conto pra vocês, que o ritmo dessa bagaça vai seguir o meu, porque senão loguinho vocês conheceram todas as portarias do meu inferno pessoal e aí não vai ficar legal. Aos poucos vou compartilhando esses pensamentos, pra não ficar só da chata que reclama da rede social (na rede social). 

Mas voltando aqui no tema, quando escrevo solto pra dar contorno a um incomodo funciona melhor.

E vou dizer pra vocês, quando eu vejo alguém que consegue estar totalmente on-line, eu fico pensando no bastidor disso.

Eu penso, e já falei isso pra algumas pessoas, e se você já ouviu, desculpa!

Tá tudo ok na vida, sem pendências, tomando água, presente no seu cotidiano, na sua casa. Respira? Tem um corpo? Ele te fala alguma coisa? Você consegue ouvir, e se ouve tá conseguindo responder? E se responde, o que ele então te diz?

E enfim, aí eu chego rápido na questão da prioriedade, e as minhas são claras nesse sentido.

Então, afunilando onde quero chegar, o papel em branco sem inspiração, chama também necessidade de 

P A U S A.

De ficar nesse vazio, de ouvir esse silêncio, de descansar na borda do ócio, até que ele não seja objeto de desejo.

E aí então, nasce um novo desejo.

E, eu pretendo, de tempos em tempos, praticar o ato revolucionário na sociedade atual da produtividade, que é dar

P A U S A.

E nesses tempos em tempos, vou te lembrar disso.

Porque isso talvez seja o que melhor posso te oferecer, terapeuticamente falando.



































Um tantão de folha em branco. Pra você descansar mas também pra depois preencher como quiser. 

Mesmo que não seja publicado. 

Se você quiser publicar, e saber porque está fazendo isso, que essa satisfação lhe sirva e preencha.

Se você publicar pela venda, que o preço te valha a pena.

Por hoje é só, mas esse só não é pouco.

E se por acaso esse texto ou branco te assustar, irritar, angustiar, acalentar, ou despertar qualquer outra coisa, você me conta?! 

Prometo que leio e respondo, depois da pausa.


C  a  m i  n  h  e  m  o  s

Respirando nos espaços que pudermos.

Mari.





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