Arapuca - auto regulação - pausa - peleja, não necessariamente nessa ordem.

Passada a pausa, mencionada no texto anterior, eis que retorno numa condição melhor e mais inspirada, auto regulada e então mais disponível interna e externamente.

A pausa - graças as Deusas, Universo, Astros e todos os Santos (juntos), me deu de volta pra mim.

E nesse sentido, é desse ponto que quero partir pra essa prosa hoje. Como é que a gente se autorregula sem pausa?

Como é que a gente se percebe sem pausa, para aí dar pro nosso corpo o que ele está pedindo.

Tem muitos motivos para querermos a pausa, e mais motivos ainda para evitarmos ela.

Óbvio que existem outras formas de auto regulação, tem trabalho, sexo, família, amigos, leitura, atividade física e etc., mas todas essas possibilidades, sem exceção, poderão atuar como respostas, mesmo que a pergunta e a dúvida não sejam claras, nem tampouco a mesma.

Explico:

Sem a pausa, e calma pra perguntar e um tempo (ainda que pequeno), para pensar em possíveis respostas, responderemos sempre a mesma coisa, para qualquer pergunta, estabelecendo um padrão, e como diria Dom Miguel Ruiz, padrão é vício.

E num nível normóide vão se estabelecendo padrões, mas num nível mais patológico vamos construindo respostas disfuncionais.

Um indivíduo ansioso, por exemplo, não tem resposta de ansiedade, independente da situação?

Um depressivo, não pode rapidamente entrar em contato com suas nuvens mais densas ao menor movimento?

O compulsivo, não vive numa luta para não ativar seus próprios gatilhos de compulsividade?

e por aí vai...

Então vou contar pra vocês a partir de mim, e convidar que façam essa reflexão por aí e experimentem se ouvir e perceber um pouquinho que seja.

Como é que você sabe que está no limite? Como é que você percebe que ultrapassou sua carga de trabalho, ou sua capacidade de mergulhar e aprofundar em algo, que mesmo amando também pode te cansar. Tenta responder sem racionalizar. Tenta se imaginar nessa situação, numa cena que você explodiu, ou perdeu o controle. Vá para minutos antes dessa situação, e remonte todo o contexto que te levou até ali. Se visualize e sinta essa cena de todas as maneiras que puder. A sensação do corpo, a respiração, o batimento cardíaco, o nível de energia, a postura que esse corpo estava...

E respira aí nisso tudo 2 ou 3 respirações.

Agora imagina o que nesse momento, poderia ter evitado a explosão. Respira e percebe se tem alguma coisa que você queria e que te daria conforto, consolo e solução para essas sensações corporais, postura e etc.

Se você conseguiu perceber uma postura, experimenta oferecer o oposto para o seu corpo, em termos mecânicos mesmo.

Isso que fizemos aqui rapidinho, é uma pausa. E uma experiência de se perceber, e mais do que isso, tentar oferecer o que poderia ser bom para você naquele momento.

A vida real não para no momento X para que você pense sobre isso, e por isso que estamos pensando agora, te convidando a ter repertório para se perceber e autorregular.

A partir de mim, eu me vejo impaciente na sobrecarga, me vejo ansiosa, agitada, as vezes deprimida, com alterações de padrão de sono e baixíssima disponibilidade emocional.

E embora eu tenha falado muito de pausa, no combo da minha eu preciso de silêncio, leveza, humor e superficialidade.

Leve é contrário de denso.

Superficial é o contrário de profundo.

Assistir uma série de humor repetida por exemplo, me leva fácil para um lugar de descanso. Meu organismo entende que posso diminuir o engajamento de neocortex necessário para atividades mais racionais e intelectuais, e eu simplesmente assisto. Sem interpretar, associar, necessariamente memorizar; (em outro momento entro um pouco mais nesses mecanismos e sistemas neuronais, e como eles agem em cada comportamento), mas continuando...

O silêncio tem relação direta com a quantidade e volume de conteúdos que normalmente eu coloco para dentro. Seria uma espécie de "detox" de ouvidos. E não tô falando só do escutar, mas também do processamento auditivo central. Normalmente para mim não precisa ser um silencio completo, os sons da natureza são permitidos e promovem meu bem estar.

E esses são só alguns dos exemplos. 

Mas o que eu queria deixar falado aqui também, é que mesmo para racionalizar e discorrer sobre o tema de auto regulação e pausa, eu precisei da ação prática sobre isso.

Quem me leu no sábado, e me lê hoje, pode perceber a mudança no tom e a maneira como agora posso discorrer sobre isso, embora ainda num lugar racional, mas com uma disponibilidade afetiva e criativa presente, e que não seria possível antes.

No mundo adulto, muitas vezes buscamos respostas, interpretações e soluções, sempre a partir do racional. Justificamos nossas emoções como se isso nos possibilitasse lidar com elas melhor. É sem dúvida um recurso, mas esse pensar ou racionalizar, sem o tempo de sustentar as nuances e efeitos desse pensamento e experimentar ele de maneira efetiva, muitas vezes pode nos levar a um lugar de auto exigência e depreciação, porque se eu entendo o que me causou isso, porque é que ainda sinto?

Porque entre a semente e a flor, existe o tempo de espera. E esse germinar da natureza, nos ensina muito sobre a possibilidade de acolher um afeto ou mesmo um vazio sem nome, até que algo novo se apresente.

Quero ainda falar de silêncio e nossas vozes internas, mas nesse momento vou parando por aqui. Espero que vocês possam ter aproveitado o fim de semana prolongado (tanto no Brasil quanto Estados Unidos), para se encontrarem com vocês e dar algo que estivesse sendo pedido.

Mas se isso não aconteceu, não se preocupe. Você pode aprender e criar espaços para uma próxima pausa. Não importa quando será, o importante é que você comece a pensar sobre se oferecer essa possibilidade.

E por último, essa pausa que te proporciona conexão, também te conecta de uma maneira melhor com o externo, permitindo que você veja com mais clareza (e até beleza), o seu envolta.

Mas apesar dessas benesses todas, também temos o padrão muitas vezes já estabelecido de não parar, e muitas vezes tememos esse encontro com nós mesmos.

É uma arapuca que nos colocamos, e desarmar ela não é fácil. Talvez esse texto te sirva de algo, talvez você precise de um processo.

O caminho é longo, mas a peleja é você com você, e você vai se carregar nessa trajetória. 

Então seja colaborativo e amoroso com você mesmo.

Caminhemos,

Com amor,

Mari.









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