Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Esse texto ficou meio esquisito de começar.

O meio dele já tá na minha cabeça, mas a introdução ficou estranha.

A principio seria um storie no Instagram, mas ficou grande e acabei excluindo sem querer.

Pensei nessa hora em esquecer, vai que não era pra ser.

Sei lá porque não consegui esquecer. Pode ser o ano novo astrológico?! Pode ser a necessidade concreta de muitos, a consciência disso?! Tudo junto?

Acabei levantando e vindo ligar o laptop, e aí achei que não era pra ser mesmo. 

30 minutos no aguarde...

Aguarde...

Aguarde...

Aguarde...

Desliguei e liguei de novo. 

Dessa vez com o combinado traçado com o Universo, se ligar escrevo e publico. Senão esqueço. Já não tenho tempo mesmo, tô é caçando sarna pra me coçar.

Mas como muita coisa na minha vida, o laptop pegou no tranco e aqui vamos nós.

Estamos diante de uma situação completamente inusitada e sem precedentes.

Brinquei com várias pessoas ontem que a gripe espanhola demorava 6 meses de navio pra chegar de um continente a outro. O corona voa de qualquer coisa, cargo, econômica e primeira classe. Chega a outro continente em 10 horas. A contagem de casos acontece em tempo real. Informação e desinformação simultânea, e não vamos nem falar da subcontagem.

Tempos de medo.

Na minha opinião pessoal, uma reforma necessária vai acontecer a partir desse caos todo. Ou a gente aprende ou aprende.

Diante disso tudo, ninguém está sabendo muito o que falar e no que acreditar.

Lideres mundiais claramente confusos e se dando melhor quem tem uma boa equipe, mais cabeças pensando, humanidade e flexibilidade. Outros agindo com imbecilidade e leviandade.

Politica a parte. Caos a parte. Estamos todos conectados, para além das redes, além da globalização, dos pactos internacionais e etc.

Respiramos um mesmo ar. Agora, bastante contaminado e sentimos medo.

Medo. 

Esse sentimento que nos ameaça em cada curva do caminho. Que traz tanta ansiedade mas que também nos salva.

Lowen diz que ele é uma lanterna a nos iluminar o caminho.

Foi uma emoção selecionada ao longo do processo evolutivo. Nos fez sobreviver e assim sobreviveu.

Nos conduz ao estado necessário de auto-preservação.

A mestra Liane Zink disse num vídeo ontem (que se você não viu vai lá ver na página dela ou do IIBA), que se você não está com medo não está lá muito conectado com si mesmo. Concordo com ela.

Talvez você também possa estar muito ocupado vivendo sua vida, trabalhando e estudando e etc.

Não viu rede social, TV, não leu jornal.

Não falou com sua mãe, seu irmão, seu amigo, seu vizinho.

Ou fez tudo isso, e está negando.

Seja qual for o seu caso, se não estamos conectados por esse medo, estamos pelo ar e pela contaminação. 

Enfim, minha principal dica é: Funcionalizem o medo. 

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Façam o que precisa ser feito, e o que em qualquer esquina do mundo virtual ou concreto está sendo falado.

(Espero que você esteja mais nas esquinas virtuais do que físicas.)

Lave as mãos.
Álcool em gel.
Se puder não saia.
Se for necessário sair se cuide.
Proteja você, a quem você ama e ao outro.

Feito tudo isso, esforce-se pra deixar o medo ir. Ele já cumpriu sua missão com você.

Tente a partir daí tornar melhor esse tempo que você estará recolhido.

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Leia aquele livro que tá esperando, assista o que quiser, cozinhe, arrume gaveta, faça ioga online, durma tudo, faça aquela pesquisa que estava esperando, conserte coisas, liga pras vós gente, pras tias, sobrinhos, primos, medite, encontre um curso online, dê banho no cachorro, faça dia da beleza, brinque com os filhos, deixe os filhos no ócio e tédio, ria, chore, grite, volte atrás, peça desculpas. Tome banho, faz quebra-cabeça, sudoko, palavras cruzadas. Mande mensagem pra aquela amiga de longe, longe no tempo ou espaço. Pode a arvore, limpe o quintal. Escute musica.

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Sei que grande parte desses conselhos também não poderão ser seguidos por muitas pessoas, talvez essas inclusive não me leiam, tem gente por aí sem água, sem informação, sem saneamento, sem possibilidade nenhuma de quarentena ou cuidado, sem o nosso olhar. 

O que seria direito a todos, vira privilégio sim, se só alcança partes.

Diante disso, reconheço meus privilégios, escrevo em segurança nesse momento, meus filhos dormem limpos, seguros e amados em camas macias e quentes.

E nesse caos todo, um dos meus grandes privilégios é já trabalhar online. Há quase três anos meu trabalho é predominantemente online. Me especializei em atendimento psicológico online, tanto no âmbito com o cliente paciente quanto oferecendo supervisão. Devido a isso estou trabalhando muito nesse cenário, ensinando e ajudando colegas a atenderem online. 

Esses dias foram loucos e fiz muita ginastica para ter esse dia de hoje livre.

Quando as crianças acordarem espero já ter terminado aqui e esquecer um pouco laptop, celular e todo esse caos.

Mas retomando, apesar da correria e com a consciência da delicadeza desse momento, decidi fazer algo.

Quero fazer a minha parte nesse cenário caótico que estamos vivendo.

Hoje vi um post da Ana Claudia Quintana Arantes dizendo que o mundo está partido em dois: os que precisam de ajuda e os que podem ajudar.

Posso precisar de ajuda amanhã, tenho amados que já estão precisando. E que a gente vai se virar nos 30. Amo muitos que estão em grupo de risco. 

Então faço isso por humanidade, senso de responsabilidade mas também para lidar com minha impotência e operacionalizar ela fazendo o que posso. Literalmente.

Ajudar pode ser muito simples. Pode ser uma informação, dica, um serviço pago (mesmo que não seja efetuado), uma não implicância.

Tantas vezes é bom senso, e muitas vezes vem no sentido de dar ou fazer o que podemos, e um pouquinho mais. Fazer o nosso melhor e se não der, o nosso possível.

Me lembrei daquela musica que foi sucesso numa novela recente:

We can do better/Oh, we can do better/And nothing lasts forever/We can do better
Nós podemos fazer melhor/Oh, nós podemos fazer melhor/E nada dura para sempre/Nós podemos fazer melhor.

ta nan nan nan na

A sensação é boa gente, eu juro. 

E se não rola comprometimento com o coletivo pra você fazer algo pelo outro, faça por você mesmo. Garanto que o barato que bate é dos bons.

(Poderia escrever um outro texto agora, filosofando sobre fazer por nós ou pelo outro, mas vai ficar pra próxima).

Eu gosto de pensar que conhecemos as pessoas por como elas se comportam em dias de chuva, com um pneu furado ou bagagem extraviada.

Nem preciso dizer que essa crise é tudo junto e muito mais né.

Esse mundo partido em 2 é dinâmico e flutuante. Ora preciso de ajuda, ora ajudo. Em muitos momentos preciso de ajuda e ajudo.

Então sem mais delongas, após essa reflexão que espero possa servir a alguém, eu gostaria de me oferecer para estar com quem não está conseguindo administrar o medo nesse momento, e está sendo tomado pelo panico ou desespero.

Falei sobre o medo, mas somos muito mais complexos que isso. Podemos estar com dificuldade de administrar uma infinidade de coisas. Vai saber o que brota no nosso emocional nesse momento.

Vou oferecer plantão psicológico online de segunda, terça e quinta das 10 as 11:30h do horário do Brasil/SP. Das 8 as 9:30 horário dos Estados Unidos/TX.

Não sei ainda como vai funcionar, se será uma conversa, um atendimento breve em chamada de vídeo ou algo assim.

Ainda não conheço a demanda então não sei se estarei online esperando ou se agendarei 3 pessoas por dia dentro desse horário com atendimentos de 30 min.

Tudo isso será melhor formatado na medida que for sendo procurada.

Claro que não será um atendimento formal, é um trabalho voluntário no sentido de redução de danos e realizado por mim na minha totalidade, pessoa física, cidadã, humana mas que claro, contará com todos os meus recursos profissionais e éticos como psicóloga e caso eu atenda alguém que seja um caso mais grave, procederei os encaminhamentos necessários e atenderei com meu referencial teórico-pratico. 

Se não tiver ninguém, fico em paz por estar disponível tentando fazer a minha parte.

Se ajudar alguns ficarei feliz.

Se vierem muitos vou tentar estruturar algo com amigas e pessoas interessadas em fazer o mesmo.

Mas essa é minha parte, é o que posso fazer além de cuidar de mim e da minha família, de perto ou longe nesse momento.

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.

Sou humaninha, carne osso e pelanca. Posso não responder imediatamente mas vou reservar um tempo no domingo a noite para olhar os contatos que tenha recebido e tentar organizar isso da melhor forma.

Nesse momento vou me comprometer com as próximas duas semanas. Do dia 23/03 a 2/4, e assim avaliar continuamente a demanda e situação. Caso necessário escrevo novamente reorganizando.

Compartilho de bom grado a atitude com colegas que possam e queiram participar.

E por ultimo, convido você, qualquer que seja sua situação e lugar, a se olhar no espelho nesse momento.

Encarar sua pequenez e vulneralibilidade.

Estamos todos vulneráveis em algum ou muitos aspectos.

E após se encarar, pensar que partes suas está precisando de ajuda, que partes suas pode ajudar.

De que lado você está nesse momento.

Seu oficio, tempo, recursos financeiros podem ser funcionalizados e/ou doados de alguma forma?

Pense no seu contexto, na sua possibilidade. 

Remunerar autônomos e mesmo assim deixa-los em casa para se proteger. De faxineira, manicure, massagista a personal. 

Faça a pergunta se isso é mesmo necessário nesse momento, e se vale a pena colocar você e essas pessoas em risco, mas lembre-se que eles precisam viver e então remunere de bom grado se você for um dos que pode fazer isso.

Flexibilize contratos, negocie, seja criativo nas soluções.

Converse com outros, peça ajuda e ofereça para pensar nas pequenas soluções cotidianas, ninguém sabe muito nada mas juntos podemos descobrir caminhos melhores.

Faça um livro de receitas e compartilhe online (compartilha comigo também se fizer).

Conte causos. Ensine coisas que só você sabe.

Ofereça seu oficio se ele puder ser feito virtualmente.

Faça playlists, lembre de musicas antigas boas, entre em desafios de leituras, atividade física, poesia e jogos.

Ofereça seu ombro (virtual).

Ofereça sua humanidade, pra você e pra outros humanos.

Ofereça o que quer que você possa. Olhe do lado. Pra frente, para trás. Para cima e para baixo.

Li ontem que a dor é capaz de despertar os maiores níveis de amor na humanidade. Então se assim é, que assim seja.

Conte comigo,

Caminhemos.

Informações: marielenvanessa@gmail.com

Cuide de você e dos seus. Cuide do outro. Conhecido e desconhecido.



A imagem, além de ser de uma das minhas flores favoritas, de fazer parte da minha história pessoal por uma oração de um grupo que fiz parte há muito tempo atrás e que tenho muito carinho; se tornou um simbolo especial para mim, após ler um texto do qual desconheço o autor (tentei dar um Google, mas não achei), que dizia que os girassóis se viram um para o outro em dias sem sol.

Sejamos girassóis!


























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