Voltando a programação normal...

ou pelo menos tentando.

Quero poder escrever mais, minhas idéias fervilham e muitas vezes deixo passar o estímulo inicial pelo auto e alto senso crítico que me castra, me faz pensar que o conteúdo não é interessante, que não passaria pelos melindres atuais, que muitas vezes me expõe e blablablá.

Mas cheguei ontem do Brasil, com tantas sensações, impressões, mistérios e aprendizados a elaborar que tudo isso ficou pequeno e resolvi re-tentar.

Li meu primeiro texto, que dizia que nem sabia se era para ser lida e recordei da real intenção com o blog, e pensei que precisamos muitas vezes abaixar nosso senso crítico, que se liga com o volume alto da opinião alheia e nos silencia muitas vezes. Superego severo mores. Sufoca e sufoca até que mata, mas por aqui não...hoje não.

Nessa linha, pensei e pensei, de tudo que queria poder pensar alto, compartilhar, escrever e elaborar.

Pensei na minha família, na daqui e na de lá. Nos amigos, nos momentos, nas conquistas, nos frios na barriga, nos silêncios, nos abraços de barriga com barriga, nas faltas e excessos.

Pensei nas lembranças, no amor que fica, na saudade e em todos os aprendizados que isso me traz.

Cheguei ontem, mas parece que em outro lugar, e ainda de um outro lugar do que cheguei a pouco mais de um ano atrás.

Cheguei mexida, com dor mas cheguei inteira.

E pensando nas minhas metades e inteirezas, nas mulheres da minha vida, na mãe, filha, sobrinha, primas, avós, amigas, pacientes, companheiras de jornada, olhando pra cada uma e lembrando de cada olhar lembrei de um em especial, que celebra mais uma primavera hoje e achei que fazia sentido retomar a escrita falando dela.

Um ser paradoxal. Um ser feminino estrela cadente pela sua beleza e fugacidade mas jamais decadente, em ascensão constante.

A definição é ambígua mas quem a conhece sabe que ambígua ainda é uma palavra pobre para defini-la. Poligua seria Ela, se houvesse essa palavra. Polígona se falássemos diretamente de sua forma ou possíveis formas.

Fui presenteada com a benção de ter muitas pessoas na minha vida e de fazer amigos próximo e após os trinta.

Isso não é algo fácil.

O mundo e a vida adulta nos corrompe, e não começamos uma amizade com a frase Vamos brincar, como no parquinho.

Recentemente uma amiga me marcou em algo que dizia que só Jesus conseguiu ter 12 amigos após os trinta e que eu era tipo ele.

Ter amigos é diferente de ter apóstolos ou seguidores. É muito melhor, sem querer desmerecer toda a saga cristã e com todo respeito possível, a humanidade é uma benção e ter pessoas que nos querem bem e próximas apesar de enxergar e entrar em contato com nossos defeitos e limitações é uma grande dádiva.

Nos aproximamos pelo que nos encanta, mas nos mantemos na vida do outro pelo que superamos. Pelo que é difícil de conviver mas suportamos e contornamos pelo amor e admiração previamente despertos.

Presos na gaiola dos conceitos humanos, precisamos de muitos motivos para uma real aproximação com alguém. Experimentar é algo que mais próximo da velhice e não da juventude fazemos infinitamente menos, mas não ela, não "Nella", e talvez essa tenha sido a primeira e mais importante lição, o maior legado da presença dela-Nella na minha vida.

Me ensinar a experimentar, com entrega, com verdade. Colocando a mão, sentindo a textura da vida, boa ou ruim, e só depois pensando sobre isso e colocando na prateleira das experiencias e conhecimentos. Com rótulo, por favor.

Ah os rótulos, meu Deus. Minha segunda amiga Zequinha do Castelo Rá tim bum.

Por que? O que é? Como é? Pra que serve? Por quê? Como faço? Como chama.

Como ama os rótulos, como precisa deles. E eis o segundo maior paradoxo.

Como pode alguém que vive e se entrega tanto, que se mexe, remexe , revira e dança, precisar e querer tanto os nomes disso tudo.

Tenho um palpite, é preciso ao menos tentar dar nome a tudo isso, a essa grandeza e magnitude chamada vida. É preciso ao menos tentar, pra não sermos tão pequenos, tão grão de areia mas é preciso também, na sequência relaxar e abrir mão. E vamos ao terceiro lindo paradoxo dela.

Ela Nella tenta muito entender, tenta forte e arduamente, mas também relaxa profundamente quando convencida de que algo não se faz para compreensão e sim para apreciação ou desfrute.

O quarto paradoxo é meu sentimento por ela. De mãe e filha, de irmã mais nova e mais velha, de compartilhar a riqueza e a simplicidade, o reconhecimento e a humildade. O amor e o medo. A vontade maior de agarrar e ficar junto ever, mas também a necessidade de se distanciar e silenciar.

O que não é nada ambíguo e mas não menos paradoxal é o amor.

Forte, intenso, suave, sereno e pleno. Inteiro.

Que compartilha de tudo, de presença e carinho a vergonhas e medos.

Compartilha famílias, em falas como nossos os filhos e maridos. Porque sabemos desfrutar e compartilhar na devida medida, na proporção natural e orgânica que abençoa os vínculos profundos.

Ela diz que eu a ensino muito, me chama de Google, e poder ensinar a ela é uma honra.

Já eu não consigo encontrar algo do cotidiano que possa a descrever mas espero que esse texto possa dar uma impressão, ainda que vaga dessa mulher-menina-avó-irmã-mãe-filha-amante-aluna-professora-dançarina-terapeuta-educadora-educadora física-esposa-atleta-neta-prima-baderneira-organizadora-boemia-centrada-festeira-primeira dama-sogra-nora e enfim, AMIGA.

Desejo a ela hoje, na celebração de mais um ano de vida, toda a luz, todo o amor, toda a paz e plenitude.

E desejo a todos alguém como ela em algum momento de suas respectivas caminhadas.

Alguém que te ame e olhe como Ela, e que também te aborreça e questione como Nella.

Alguém com essa verdade e brilho, que caminha pela vida com passos ora firme, ora vacilantes mas sempre sem maquiagem, desdobrando suas verdades com uma quase ingenuidade.

Alguém que me ensina a brincadeira da arte de viver com essa leveza e loucura, com esse amor e entrega.

Alguém que eu não lembro bem como conheci, nossas primeiras falas e trocas, mas que aceita o meu Vamos brincar sempre e que assim seja, por esse e pelos outros caminhos que trilhamos e trilharemos juntas.

Um salve a sua vida meu amor.

Gratidão pela sua na minha.

Feliz aniversário!





Comentários

  1. Como é bom ouvir sua voz... gratidão.

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  2. Ahhhh que o amor tomou conta aqui do meu peito. Tão ela, tão Nella, nossa Nella. ❤

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