Meu menor e mais doloroso texto.

Hoje estou um tanto sem palavras mas vou tentar acionar as que ainda estão escorregando por aqui.

Em breve certamente retorno ao funcionamento normal mas por hoje fica um silêncio de luto.

Um luto por uma mulher, uma representante da democracia, uma negra, uma pobre, uma batalhadora, uma sonhadora...enfim. Ela foi e seguirá sendo tantas coisas que eu sou e que gostaria de ser que a identificação, indignação e mesmo o choque me calam.

É um luto por ela, por nossa sociedade doente mas principalmente pelo Brasil e pelo bem.

É um medo que paralisa e nos faz refletir desesperançosos do que vem. E se eu estou sentindo isso aqui, imagino minhas amigas mais próximas de tudo isso. Almas sensíveis e de trabalhos árduos que nesse momento sentem balançar os pilares da determinação, vontade e luta.

A sensação é de uma guerra que estamos perdendo, mas que seja só uma batalha e não a guerra toda de fato.

Esse momento passará, e que não seja em vão. Que essas e tantas mortes não sejam também. Sejam elas mortes de PMs, garotos de rua, estudantes, profissionais, militantes, donas de casa, professores ou juízes.

E sim é possível não tomar lados, ou tomar um só, o da paz, o da preservação da vida; e da vida no sentido mais amplo. No direito de ir e vir, de igualdade, de cuidados e de acesso. Dos Direitos Humanos.

Que tudo isso seja realmente um arar dessa terra suja, para que novas sementes germinem, ao preço de que uma delas, muito valiosa, hoje seja "apenas" adubo e água, a regar e nutrir esses novos plantios.

No ultimo texto falei sobre o legado feminino, que pode-se ampliar para legado humano, hoje mais colocado nas costas femininas.

Que possamos lembrar que esse plantio começa em nós, dentro de casa, no nosso trato com todos que chegam até nós, no nosso profundo respeito ou tentativa deste frente as diferenças, na nossa negativa ao jeitinho ou corrupção pequena, que nos leva às grandes, na nossa recusa a compartilhar, compactuar ou promover discursos de ódio, na nossa tentativa de virar a cabeça para o outro lado e tentar ver o que o outro vê para construir aquele raciocínio, na educação e informação que damos aos nossos pequenos e tantas outras coisas que quem sabe, em outro momento eu possa mencionar com mais energia e propriedade.

 E possamos caminhar com fé nesse rumo, ainda que com passos pequenos.

Que assim seja.

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