É Natal

Quase Natal mesmo, mas ufa, consegui um tempinho pra vir aqui escrever.

Foram dias muito corridos esses, completamente diferente da minha correria de fim do ano do Brasil.

Outras prioridades e situações, mas ainda assim, aquela sensação de que 24 horas é pouco.

Curso pra tirar carta, quase habilitada (uhull, o pior já foi).

Estou reaprendendo a gerir meu tempo, quando temos uma agenda cheia de compromissos formais (como pacientes, entrevistas e etc), fica mais fácil olhar o livre e encaixar. Mas quando temos a permissão e nos permitimos construir o dia, semana e sucessivamente nosso tempo de maneira mais orgânica ficamos bastante perdidos, porque afinal, a prioridade sou eu, mas eu estou em tudo que faço; e eclética como sou, fica difícil encontrar minha prioridade circunstancial, material ou concreta. Sendo assim, como já disse num texto anterior, estou tentando estar presente. Em cada coisa, cada momento.
Comer comendo, tomar banho tomando banho. Assistir assistindo. Descansar descansando e até sonhar sonhando.

Muito óbvio, mas eu diria que esse é o desafio do século para uma sociedade tão hiper estimulada.

Uma amiga daqui me disse algo sobre estarmos (com a nossa cabeça e pensamentos) onde está o nosso corpo. Achei genial.

Retomando... esse fim de ano foi marcado por muitas mudanças, não haveria de ser diferente, 2017 foi um ano e tanto. Antes do réveillon espero falar sobre isso mas agora ainda não.

Hoje eu quero falar das diferenças culturais/sociais que mudaram os protocolos de rituais dessa época para mim.

No Brasil eram sempre muitas confraternizações, reuniões de encerramentos, amigos secretos, muitas lembrancinhas para muitas pessoas especiais, infinitos e deliciosos happy hour, um santo calor que Deus mandava, trocentos presentinhos fofos de pacientes, workshop de fim de ano do Instituto maravilhoso que eu faço parte, uma prainha quando dava antes ou depois da virada (de maneira que também rolava esses preparativos ou saidinha), uma faxina forte em casa, dando coisas que se não usei no ano não usarei mais... enfim...todos esses eventos marcavam essa fase do ano, e iam construindo o significado de natal, fim de ano e renovação.

Amo um ritual. A noção antroposófica da importância deles desde os primórdios da vida humana na Terra só reforçou minhas crenças e hábitos. Além disso, vem de família, meu pai muito supersticioso, minha mãe menos, mas não contraria, vai que né.

Esse ano não teve nada disso, nenhum desses.

Nem a faxina, porque fiz a maior do século na minha mudança pra cá, vim com 2 malas, logo ainda não tenho o que me desfazer.

Isso tudo me gerou sentimentos distintos dos que eu costumava sentir nessa fase.

No começo um vazio, que gerou um descaso e "pseudo" indiferença. Tipo criança que não vai ganhar o que quer, e lança logo um eu nem queria mesmo. Não queria arrumar nada, não estava pensando em comemorar, e estava achando um porre aquela precipitação de excitação americana de começar a encher as lojas de produtos natalinos em pleno outubro.

Estava regredida. Por fora levemente desinteressada, por dentro uma adolescente magoada por não ter mais "papai noel" e ter que aprender a desfrutar do Natal de outra forma.

Felizmente essa fase durou pouco. Amo o Natal, e logo me dei conta que queria aprender todos os rituais e entender toda a tradição que envolve essa comemoração aqui para poder pertencer de fato e usufruir de tudo isso.

Pesquisei até, conversei com americanos, observei, adequei o que podia e aos poucos o nosso Natal foi nascendo concretamente e o espirito Natalino renascendo em mim, como deve ser.

E foi ficando lindo, construindo e fazendo sentindo. Todas as coisas se encaixando.

Começando pelo frio que já dá um ar todo diferente, fui aos poucos me adaptando ao quão lúdico e mágico é esse momento. É uma festa predominantemente infantil e recheada de detalhes que encantam a todos os corações, de todas as idades.

Os elfos, a crença ferrenha no papai noel e junto com isso as decorações carnavalescas para que ele chegue primeiro na respectiva casa, pijamas iguais pra família toda, os stockings, a neve, roupa vermelha, voluntários (sim, eu disse voluntários) dizendo Merry Christmas na porta de algumas lojas (em pleno frio e muitas vezes com suas famílias, incluindo filhos pequenos)...

Enfim, no começo parecia que eu estava dentro de um dos filmes de esqueceram de mim e com o perdão do trocadilho, literalmente a melhor opção me pareceu aproveitar e fazer o melhor disso. Acho que aqueles foram os melhores natais dele (só acho!!!)

Fui me encantando com tudo o que aprendia e do momento em que decidi entrar na onda, entender e fazer parte disso tudo, foram 5 dias mais ou menos pra nossa casa ficar digna do papai noel e de festejar o aniversário de Jesus.

Estou aproveitando cada momento disso, os bons e os tristes.

Natal pra mim sempre significou família, e nesse estarei próxima do meu núcleo menor, mas distante de pais, irmãs, avós, sobrinhos.

Foi uma escolha, que traz muita dor e muito amor.

A vida é esse constante paradoxo, e inteligencia emocional perpassa integrar tudo isso. Tem lugar pra todos os sentimentos, e essa é a grande beleza desse mosaico fantástico.

Além disso, temos sempre duas maneiras de lidar com as situações e eu prefiro olhar para o que tenho, e não para o que me falta.

Algumas lágrimas vão rolar. A emoção virá, mas com isso crescemos e nos transformamos, nos aprofundamos.

Nas adversidades e distância o amor se revela, preenche os espaços, aquece o peito.

Não vou abraça-los a meia noite, mas eles estão tão dentro de mim, que será um Natal caloroso mesmo que faça 0 (como aliás promete a previsão) e em qualquer lugar do mundo que eu esteja.

O amor que recebemos nos nutre e faz forte para que possamos enfrentar a tudo.

Começa de pequeno, vai fazendo um depósito e eu devo dizer, que honra ter essa família, esses amigos e todo esse amor reserva que inclusive me dá recursos para re-significar e assim resgatar a magia do Natal em mim.

Além disso, papai do Céu /Noel, também me deu amigos aqui e vamos construindo juntos uma extensão de nossas famílias.

Presentes disfarçados de pessoas, embalados em sorrisos, decorados de abraços, amizade, apoio e compreensão mutua.

Dizem que encontramos na vida o que carregamos, sou muito sortuda e grata pelo que trago e pelo que encontro.

Bom, vou ficando por aqui, muitas pequenas coisas ainda para arrumar nesse dia tão especial.

Mas antes...só mais uma coisa:

eu não terei alguns abraços, e ok, sem ressentimentos.

Também não vai ter o cheiro do pernil da minha mãe tomando conta da casa, nem o mousse de maracujá de lei.

Vamos sobreviver todos, mas...

um conselho bobo, vai que serve.

Se você tiver a oportunidade de estar perto de sua família e amores, esteja.

Se puder abraçar, abrace.

Se houver algo a perdoar, perdoe.

Se tiver um eu te amo guardado, entregue.

Presenteie com sua presença.

Ilumine com seu entendimento.

Desconverse com seu sorriso.

A vida é muito breve, e a felicidade nem sempre vem envolta em laço de fita vermelho.

Nas oportunidades que tiver de se relacionar e celebrar, o faça.

Não economize vida (falei sobre isso no último texto, se quiser saber mais leia aqui: A vida é neve derretendo).

No mais...

Feliz Natal à todos, de perto e de longe.

Aos que passam sozinhos que a reflexão não vire tristeza.

Aos que passam em família, que a festa não sufoque a reflexão.

Que o lúdico, mágico e sagrado possa se manifestar nessa noite da maneira mais linda possível, que possamos nos contagiar dessa energia e compartilhar.

Que esses verbos sejam reais ações: Relacionar. Compartilhar. Celebrar.

Com todos e principalmente com Jesus.

Até a próxima,

Andiamo.












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