Hoje é dia do psicólogo, aqui nesse canto... da psicóloga!
Certa vez um grande amigo me disse para que tomasse cuidado para não me corromper e me perder durante a graduação, segundo ele aquilo era apenas um passo para alcançar um título que me permitiria atuar naquilo que eu sempre fui. E eu sou obrigada a concordar com ele.
Desde muito cedo, de criança, meu olhar atento sobre as relações e as pessoas permitia descobrir coisas que muitas vezes não eram para o olhar ou ouvidos infantis.
A leitura precoce e a voracidade pelas histórias também contribuíram muito.
Era a vida me preparando através da sensibilidade para tudo que viria depois.
É preciso que se tenha repertório de vida, histórias e emoções para que se possa tocar na vida dos outros sem tanto assombro, guardando ainda a possibilidade de se surpreender e acolher como unica a história que se chega.
Eu aprendi muito na universidade de psicologia.
Aprendi muito na prática com meus pacientes.
Nas minhas pós e formações adicionais. Nas supervisões, com mestres maravilhosos...e caros rs.
Aprendo diariamente observando a vida, meus filhos, família, a natureza, aprendo com filmes e livros...
Mas nada nada nada nada e nada... me ensinou tanto quanto minha própria analise.
Muita gratidão e amor por elas ♥
Jung dizia: Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.
A analise te coloca em contato com si mesmo, capacita e ao mesmo tempo te lembra o quanto você também é humana e paciente nos seus momentos.
Que delicia ser paciente!
Além disso, aprendemos por imitação e muitas vezes nos desenvolvemos a partir de nossa relação com nossa terapeuta ou analista, tal qual no nosso desenvolvimento infantil.
Resumindo, se der branco você imagina ela ou ele, e imita o que ela faria hahaha
Nunca precisei disso mas sempre tivesse a segurança disso em mente. Que alivio!
A filosofia também foi e é muito importante, a dúvida sobre todas as coisas é o combustível necessário para o movimento da roda do conhecimento.
O lamento é que olhando muito para fora as pessoas esquecem-se de si mesmas.
A universidade não fornece o escudo do Capitão América, nem um antidoto que nos mantem inacessíveis as dores comuns da humanidade, na verdade é exatamente o contrário.
Quando bem feita, a tarefa da universidade é produzir n questionamentos que geram as eternas buscas sobre si mesmo e sobre o mundo.
Sendo assim, não acredito no bom trabalho clínico de um psicoterapeuta que não está em analise.
Sua ferramenta de trabalho, no caso, ele mesmo não está sendo atualizada adequadamente e seus pacientes estarão sujeitos a isso.
É uma grande tragédia que pode causar centenas de outras menores.
Nas outras áreas, politicas publicas, saúde, educação, jurídica e etc, também faz falta a psicoterapia e também faz necessário esse espaço de reflexão e cuidado, mas talvez com leso menor aos indivíduos submetidos que no setting clinico.
Além da questão ética de estar em condições adequadas de atendimento também tem uma questão sistêmica.
Existe um movimento de retorno que faz com que qualquer terapeuta que deseje a entrega de seus pacientes precise entregar-se inteiramente ao seu processo de analise. O campo gravitacional que envolve as relações é profundamente sensível a isso, e francamente, ouso dizer que não há possibilidades de uma atuação clínica bem feita, cuidando de desvendar o inconsciente alheio se você não se atreve a olhar o seu.
A mesma coisa se revela financeiramente, não há como pedir por pacientes de preço cheio quando você também ainda não pode fazer isso. Nem tampouco como pedir que te valorizem, quando a primeira coisa que você pensa em cortar é sua psicoterapia.
Na medida que meu financeiro melhorava eu acrescentava sessões a minha analise, e depois acrescentava valor a elas.
Eu gastei muito dinheiro com isso. Muito mesmo. E não me arrependo de nenhum centavo.
Quando as coisas estavam muito difíceis financeiramente falando eu tive que pedalar muito, mas nunca parei com a analise ou espacei a analise.
Era meu investimento em mim mesma, reflexo do meu respeito pela minha profissão, pelos meus pacientes e por mim.
Sempre quem mais ganhava era eu, então também era um presente, com a ótima desculpa da necessidade profissional. Ufa!
Pensei em tudo isso para dizer que não me surpreende que as pessoas de senso comum tenham ainda reservas com a psicologia, quando muitos profissionais da área ainda temem o encontro com sua própria analise.
A psicologia é uma ciência nova, tem 55 anos no Brasil.
Precisa de mais de tempo e naturalização para que seja amplamente aceita, e está nas mãos dos profissionais e depois dos indivíduos submetidos a analise desmistificar isso.
Vejo o tempo todo colegas de profissão desabafando em redes sociais ou ainda faltando com a ética e descrição necessárias ao bom andamento profissional.
Eles também, como qualquer ser humano guardam reservas sobre o encontro com o inconsciente. A maldição é que apesar disso seguem sendo ouvidos como "vozes" sóbrias ou como pessoas altamente qualificadas para lidar com o inconsciente alheio e infelizmente não caminham diretamente na busca disso.
Eu entendo, dá muito medo mesmo de se submeter a algo que se diga ciência, de domínio de outrem e que está ali em um proposito de analisar, que também pode ser lido como avaliar.
Eu mesma, caso não tivesse ido tão cedo para analise, talvez não criaria coragem de abrir meu porão de monstros aos 40 ou 50 anos. Sendo assim, não os julgo.
Aliás essa é a paz que a presença de um bom psicólogo pode proporcionar, o não julgamento e o acolhimento irrestrito.
Mas voltando ao encontro com si mesmo que é o proposito da analise, esse encontro acontece quase sempre no cotidiano, mas não de uma maneira proposital e produtiva
Como quando começamos a namorar, e checamos os caminhos do outro e percebemos que muitas vezes caminhamos pela mesma calçada, ou estivemos próximos, mas era um encontro que não encontrava de fato.
Passava por ali, chegava perto, podia sentir o cheiro, mas não o via ou tocava.
É assim com nosso inconsciente, passamos por ele muitas vezes, ele nos fornece pistas e iscas de quem somos o tempo todo, mas, sabiamente, ou não rs, a chave para decifra-lo perpassa o inconsciente de outro, que caminhando ao nosso lado pode nos ajudar com os pontos cegos e com os efeitos que esse esse encontro possa causar.
Um encontro que hora pode ser de muita dor, e hora de muito amor. Que lindo paradoxo.
Psicoterapia ou analise é processo, um processo com ritmo, como uma dança, um ir e vir que vai sempre no caminho da necessidade e evolução do paciente. O foco é ele, os sentimentos, pensamentos e dor dele, e nós, levamos pra nossa psicoterapia e supervisão os nossos, que normalmente não são poucos.
Gosto de pensar no psicoterapeuta como uma lanterna na mão do paciente, que ele utilizara para iluminar o que for de seu desejo, curiosidade ou necessidade.
Não clareamos o que o paciente não esteja pronto pra ver, não quando estamos conectados e aprofundados em nosso papel de psicoterapeuta.
Respeitamos seu ritmo.
Pra finalizar tem uma frase do Jung que ilustra especialmente esse tema e que eu gosto especialmente.
Sendo assim, se for possível, não fuja desse encontro com você. Recomendo.
Até logo.
Desde muito cedo, de criança, meu olhar atento sobre as relações e as pessoas permitia descobrir coisas que muitas vezes não eram para o olhar ou ouvidos infantis.
A leitura precoce e a voracidade pelas histórias também contribuíram muito.
Era a vida me preparando através da sensibilidade para tudo que viria depois.
É preciso que se tenha repertório de vida, histórias e emoções para que se possa tocar na vida dos outros sem tanto assombro, guardando ainda a possibilidade de se surpreender e acolher como unica a história que se chega.
Eu aprendi muito na universidade de psicologia.
Aprendi muito na prática com meus pacientes.
Nas minhas pós e formações adicionais. Nas supervisões, com mestres maravilhosos...e caros rs.
Aprendo diariamente observando a vida, meus filhos, família, a natureza, aprendo com filmes e livros...
Mas nada nada nada nada e nada... me ensinou tanto quanto minha própria analise.
Muita gratidão e amor por elas ♥
Jung dizia: Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana.
A analise te coloca em contato com si mesmo, capacita e ao mesmo tempo te lembra o quanto você também é humana e paciente nos seus momentos.
Que delicia ser paciente!
Além disso, aprendemos por imitação e muitas vezes nos desenvolvemos a partir de nossa relação com nossa terapeuta ou analista, tal qual no nosso desenvolvimento infantil.
Resumindo, se der branco você imagina ela ou ele, e imita o que ela faria hahaha
Nunca precisei disso mas sempre tivesse a segurança disso em mente. Que alivio!
A filosofia também foi e é muito importante, a dúvida sobre todas as coisas é o combustível necessário para o movimento da roda do conhecimento.
O lamento é que olhando muito para fora as pessoas esquecem-se de si mesmas.
A universidade não fornece o escudo do Capitão América, nem um antidoto que nos mantem inacessíveis as dores comuns da humanidade, na verdade é exatamente o contrário.
Quando bem feita, a tarefa da universidade é produzir n questionamentos que geram as eternas buscas sobre si mesmo e sobre o mundo.
Sendo assim, não acredito no bom trabalho clínico de um psicoterapeuta que não está em analise.
Sua ferramenta de trabalho, no caso, ele mesmo não está sendo atualizada adequadamente e seus pacientes estarão sujeitos a isso.
É uma grande tragédia que pode causar centenas de outras menores.
Nas outras áreas, politicas publicas, saúde, educação, jurídica e etc, também faz falta a psicoterapia e também faz necessário esse espaço de reflexão e cuidado, mas talvez com leso menor aos indivíduos submetidos que no setting clinico.
Além da questão ética de estar em condições adequadas de atendimento também tem uma questão sistêmica.
Existe um movimento de retorno que faz com que qualquer terapeuta que deseje a entrega de seus pacientes precise entregar-se inteiramente ao seu processo de analise. O campo gravitacional que envolve as relações é profundamente sensível a isso, e francamente, ouso dizer que não há possibilidades de uma atuação clínica bem feita, cuidando de desvendar o inconsciente alheio se você não se atreve a olhar o seu.
A mesma coisa se revela financeiramente, não há como pedir por pacientes de preço cheio quando você também ainda não pode fazer isso. Nem tampouco como pedir que te valorizem, quando a primeira coisa que você pensa em cortar é sua psicoterapia.
Na medida que meu financeiro melhorava eu acrescentava sessões a minha analise, e depois acrescentava valor a elas.
Eu gastei muito dinheiro com isso. Muito mesmo. E não me arrependo de nenhum centavo.
Quando as coisas estavam muito difíceis financeiramente falando eu tive que pedalar muito, mas nunca parei com a analise ou espacei a analise.
Era meu investimento em mim mesma, reflexo do meu respeito pela minha profissão, pelos meus pacientes e por mim.
Sempre quem mais ganhava era eu, então também era um presente, com a ótima desculpa da necessidade profissional. Ufa!
Pensei em tudo isso para dizer que não me surpreende que as pessoas de senso comum tenham ainda reservas com a psicologia, quando muitos profissionais da área ainda temem o encontro com sua própria analise.
A psicologia é uma ciência nova, tem 55 anos no Brasil.
Precisa de mais de tempo e naturalização para que seja amplamente aceita, e está nas mãos dos profissionais e depois dos indivíduos submetidos a analise desmistificar isso.
Vejo o tempo todo colegas de profissão desabafando em redes sociais ou ainda faltando com a ética e descrição necessárias ao bom andamento profissional.
Eles também, como qualquer ser humano guardam reservas sobre o encontro com o inconsciente. A maldição é que apesar disso seguem sendo ouvidos como "vozes" sóbrias ou como pessoas altamente qualificadas para lidar com o inconsciente alheio e infelizmente não caminham diretamente na busca disso.
Eu entendo, dá muito medo mesmo de se submeter a algo que se diga ciência, de domínio de outrem e que está ali em um proposito de analisar, que também pode ser lido como avaliar.
Eu mesma, caso não tivesse ido tão cedo para analise, talvez não criaria coragem de abrir meu porão de monstros aos 40 ou 50 anos. Sendo assim, não os julgo.
Aliás essa é a paz que a presença de um bom psicólogo pode proporcionar, o não julgamento e o acolhimento irrestrito.
Mas voltando ao encontro com si mesmo que é o proposito da analise, esse encontro acontece quase sempre no cotidiano, mas não de uma maneira proposital e produtiva
Como quando começamos a namorar, e checamos os caminhos do outro e percebemos que muitas vezes caminhamos pela mesma calçada, ou estivemos próximos, mas era um encontro que não encontrava de fato.
Passava por ali, chegava perto, podia sentir o cheiro, mas não o via ou tocava.
É assim com nosso inconsciente, passamos por ele muitas vezes, ele nos fornece pistas e iscas de quem somos o tempo todo, mas, sabiamente, ou não rs, a chave para decifra-lo perpassa o inconsciente de outro, que caminhando ao nosso lado pode nos ajudar com os pontos cegos e com os efeitos que esse esse encontro possa causar.
Um encontro que hora pode ser de muita dor, e hora de muito amor. Que lindo paradoxo.
Psicoterapia ou analise é processo, um processo com ritmo, como uma dança, um ir e vir que vai sempre no caminho da necessidade e evolução do paciente. O foco é ele, os sentimentos, pensamentos e dor dele, e nós, levamos pra nossa psicoterapia e supervisão os nossos, que normalmente não são poucos.
Não clareamos o que o paciente não esteja pronto pra ver, não quando estamos conectados e aprofundados em nosso papel de psicoterapeuta.
Respeitamos seu ritmo.
Pra finalizar tem uma frase do Jung que ilustra especialmente esse tema e que eu gosto especialmente.
Sendo assim, se for possível, não fuja desse encontro com você. Recomendo.
Até logo.

Parabéns minha linda pelo seu dia. Te amo ❤
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