Feminino e gratidão
Todos os dias, diante de várias situações do dia a dia, penso alguma coisa e me ocorre um texto todo a partir disso. Aí acabo me distraindo com outra coisa e quando pego pra escrever, não raro, escrevo sobre algo completamente diferente.
Hoje novamente isso aconteceu enquanto eu caminhava, e eu me esforcei bastante para me lembrar do que me ocorreu para que pudesse escrever aqui.
Foi algo simples porém especial, que me trouxe uma e depois várias lembranças lindas e muitas reflexões. Pensei em coisas como construção do feminino e gratidão, o que então fez eu pensar que valia a pena escrever sobre.
Bom, eu estava lá, caminhando como sempre. Hoje andei um pouco mais, coisa de quase duas horas porque resolvi que iria a pé retirar umas fotografias que mandei imprimir. Beleza!
Já era quase 9, um calor que Deus mandava e meu cabelo tudo grudando no pescoço. Doida pra prender mas não tinha um nada. Olhei pro chão e cheio de pauzinho de galho. Não pensei duas vezes, quebrei um mais ou menos no tamanho e prendi com ele, como quando usamos um palito.
Foi aí que me lembrei como aprendi a fazer isso.
Minha mãe tem uma grande amiga, pra mim desde sempre, mas pra elas há algumas décadas.
Ela sempre foi bastante presente na minha vida, lembro dela em praticamente todas as fases.
E foi ela que me ensinou a prender o cabelo assim.
Eu não lembro bem onde estávamos, acho que no salão que elas trabalhavam na época e ela estava prendendo o cabelo dela.
Ela usava longo naquela época e eu achava o máximo, loira e lisa. E eu sempre ficava mexendo. Eu devia ter uns 8 a 10 anos e ali ela ficou me ensinando a prender com o tal palito.
Com certeza, ela estava tentando fugir de mim e prender para escapar da cabeleireira mirim. Fail!
Detalhe, eu prendia o cabelo dela mesmo porque o meu de criança sempre foi mais curto, então ficava treinando nela.
Haja paciência, tipo uma monja tibetana.
Ah, e o palito não era meu graveto de hoje. Não não não...
Era lindo, de madeira e muito chique segundo minha exigência e capacidade de avaliação da época.
Enfim, hoje hora que eu fiz a volta com meu graveto me lembrei disso tudo, de cada detalhe, podia sentir o cheiro da cena.
Senti uma saudade boa, e um banho de amor e gratidão.
Ela é uma querida, me influenciou em muitos outros momentos. Talvez tenha sido inclusive um peso a mais no meu gosto pela leitura (tanto que deixei grande parte dos meus livros pra ela no Brasil) e também na arte de escrever. Ela igualmente é boa nisso.
Inclusive, certa vez, eu era adolescente e elas forjaram uma carta fantasma pra mim, de um possível pretendente que jamais existiu, simplesmente pra tentar me distrair de um interesse super que eu estava por alguém, que elas achavam que não valia tanto a pena.
Certamente ideia da minha mãe e execução dela.
Sim, mães quando se juntam a suas melhores amigas podem ser sórdidas.
E o pior, só muito tempo depois ela confessou o lance. Tipo uns 15 anos depois. Minha mãe nunca tinha tocado no assunto.
Sem comentários.
Mas hoje ao lembrar disso tudo pensei em como compomos nosso feminino de muitas nuances diferentes.
Como cada mulher que passa pela nossa vida pode dar uma cor, um traço, um tom ou acorde novo e diferente.
Meu feminino é bastante eclético, composto de muitas mulheres maravilhosas que passaram pela minha vida.
Mãe, avós, irmãs, tias, professoras, mestras, sogras, amigas, vizinhas...
Sou grata a cada uma, e reverencio a cada característica que encontro por aqui.
Gosto muito desse colorido que tenho hoje mas sei que não é final, não está acabado.
Tá em constante construção, sendo tocado e construído por outras mulheres hoje, e vira e mexe se remetendo aos pilares de base.
A criança se desenvolve por um longo pedaço através da brincadeira e do jogo da imitação.
Ela "brinca de ser" e assim vai introjetando papeis e pessoas no seu mundo interno.
É lindo de ver, e uma delicia ser uma mulher que partilha de suas características com uma menina mulher em desenvolvimento.
E todas somos meninas mulheres em desenvolvimento.
Quando a fragilidade bate a porta ainda um pouco mais.
Quem é mãe de menina vive especialmente isso. Mesmo nos momentos em que elas fazem uma oposição completa as mães, ainda assim questionam a base que já possuem, ou que anteriormente já foi concebido e internalizado.
Nossa família está com uma pequena iniciando esse caminho e cheia de mulheres envolta, doidas pra ouvir que ela parece com uma ou com outra, e rezando pra que ela só pegue as coisas boas.
Ainda bem que o nome dela leva sabedoria, que ela possa usar no processo de internalização dessas mulheres todas.
E eu posso afirmar que a mão ela puxou pra mim kkkkk.
Longa e fina.
Quem vê minha mão sozinha pensa que eu sou magrela. Só que não. E a dela é igual. Sorry.
Vou colocar uma foto do arranjo que fiz no cabelo com o graveto.
Desfilei uns 4 km com meu penteado cheio de estilo (contem ironia) por aí. E agora fico por aqui.
Até breve.

Minha querida Mah! Lindo de ver o quanto algo que parece tão sem importância, é guardado dentro do coração de uma criança, como algo tão especial! Me emocionei muito!E fico imensamente feliz, em ter seu carinho e amor, e eu nada fiz, além de ter um grande amor por você!
ResponderExcluirVocê é muito especial, e merece todo o sucesso e alegrias do mundo!
Ti amo flor! E muito obrigada por tudo! Bjs