Domingar
Eu particularmente adoro os domingos, mesmo sendo o dia que antecede a temerosa segunda, mesmo com o Faustão e a musiquinha da tristeza do fantástico que muita gente odeia.
E eu acho mesmo, que domingo é uma bela amostra e recorte da vida de uma maneira em geral.
O domingo é livre (bem, nem sempre ou pra todos, mas vamos imaginar aqui que sim).
É um dia aberto ao preenchimento que quisermos.
Dá pra ser esportista, mesmo que você não o seja a semana toda.
Dá pra dormir até, mesmo que você não tenha esse hábito sempre.
Dá pra cozinhar, comer muito, em casa ou fora, mesmo que a semana tenha sido no miojo e lasanha congelada.
Dá pra falar com os amigos, visitar a família, ver filme, ler, lavar o cachorro.
Aguar as plantas, namorar, dormir de novo.
Dá pra ficar na internet, zerar as obrigações, criar novas.
Dá pra sonhar com a segunda e com um mundo diferente.
Se domingo fosse um verbo, domingar, seria isso tudo e mais um pouco. Seria o que você quisesse.
DOMINGAR - FAZER O QUE VOCÊ QUER, NA HORA QUE VOCÊ QUER, DO JEITO QUE VOCÊ QUER.
Na vida também é assim, também somos livres, mas vamos nos amarrando a tantas coisas pesadas e indesejadas, que as vezes só sobra o domingo, e olha lá heim.
A minha vida louca e corrida me ensinou muitas coisas, mas a lição sobre o domingo talvez tenha sido uma das mais valiosas.
Ao menos nesse dia, eu só fazia e faço o que quero. De acordar na hora que quero, a dormir de novo em momentos inusitados.
A quebra de ritmo vai desde de almoçar as 15h ou 17h, como tirar um cochilo as 13h.
Também era comum no Brasil ir ao mercado as 18:30h e começar a organizar a casa as 20h.
Não tem coerência nenhuma de horário, porque cada domingo era em um ritmo. O que ditava esse ritmo era uma necessidade essencial, de dormir, de comer algo, de ver alguém especial, de ir ao centro, estar com minha família e todas essas coisas.
A prioridade é atender caprichos.
É engraçado pensar, que precisemos quebrar o ritmo, pra seguir nosso ritmo. Porque isso está dizendo que vivemos a maior parte do tempo sacrificando o nosso ritmo e desejo pra viver inserido em outro ou outros ritmos, que não foram ditados ou organizados por nós.
Claro que na prática, precisamos do ritmo louco da semana pra sobreviver, trabalho, escola, compromissos. Mas é muito louco, que na quebra desse ritmo que encontramos o nosso e o podemos pensar em respeita-lo.
A vida acontece num piscar de olhos pra que a gente passe por ela esperando as sextas, sábados ou domingos pra atender nossos desejos e ritmo pessoal.
Eu entendo, que não cabe isso no dia a dia, mas uma coisinha que seja dá pra levar.
Um prazerzinho aqui, um cuidado ali.
Nós não nos olhamos, não nos cuidamos. Normalmente não atendemos nossas necessidades básicas porque não as conhecemos, e por aí vamos numa bola de neve de insatisfação.
Se não sabemos o que queremos, tudo vai servir mais ou menos. Que é um outro jeito de dizer que nada vai servir bem.
Então requisito básico para DOMINGAR, saber o que você vai querer (ou não querer) fazer.
É algo como ir a um restaurante e poder escolher um prato. Ou ter uma ferramenta pra ação, como uma vara pra pescar. Ou uma bicicleta para andar na ciclovia.
Domingar pede saber o que quer e depois de saber...apenas fazer...ou não.
Repeti de propósito. É o simples complexo.
Parece simples né, vai lá fazer que você vai ver que não é não. Complexo então...
Houve um momento da minha vida que eu não tinha o mínimo contato comigo mesma, vivia respondendo a demandas externas o tempo todo.
Trabalho, clientes, faculdade, filhos, marido, família, amigos, centro espirita, trabalho voluntário.
Havia um personagem de Marielen que se relacionava em todos esses espaços, mas quando era questionada sobre o que gostava, um ponto de interrogação gigante tomava conta da minha cabeça.
Eu respondia rápido, nunca gostei de não ter resposta. Dizia logo: Eu gosto de tudo. Que é também um outro jeito de dizer que não gosto especialmente de nada.
Passei por um longo luto que foi extremamente necessário para entrar em contato com minha identidade. Eu havia perdido minhas digitais ao longo do caminho.
Não foi uma tarefa fácil, mas eu tenho uma dica. Persigam os incômodos.
Se em algum momento não estamos em contato com nós mesmos e nossas necessidades, se o nosso domingar ainda está difícil, veja o que é incomodo, o que você não gosta de fazer, o que traz uma angustia, uma cabeça pesada um estomago revirado.
Uma sensação de incomodo mesmo,em geral... e comece eliminando isso.
Para depois encontrar o que vai ser bom.
Para depois ainda encontrar o que te apetece,
te dá prazer,
brilha os olhos
e te deixa em paz.
Comecem a se atender nas pequenas necessidades: um banho fora de hora, um cochilo, uma bebida gelada.
Feito isso, quando você já souber, e puder domingar, leve um pouco desse domingo pra cada dia da sua semana.
Um banho bom na segunda, um cochilo na terça, uma ligação para alguém querido na quarta, finalmente um encerramento de assinatura que não te serve na quinta, um chopp com uma amiga na sexta, um esporte no sábado, enfim um momento, uma coisa só que te satisfaz em cada dia da semana.
Não necessariamente nessa ordem, nem nesses moldes. Simplifique.
Comece por algo pequeno, pra que você possa sentir um pequeno prazer e a gratidão que vem com isso.
Em outro momento eu vou falar dessa gratidão, que é um tema que eu amo de paixão, mas antes, precisamos identificar nossos desejos. Carecemos disso.
Se os desejos forem simples, realizar. Se forem complexos, trabalhar por eles.
Porque na realização desse simples, a gratidão se manifesta e o coração se alimenta.
Ontem, fizemos um passeio delicia, aqui perto em Houston. Foi muito bom, mesmo.
Mas se você me perguntar de todos os momentos do dia, os meus favoritos, eu diria dois.
O caminho, enquanto o marido dirigia, o sol tava lindo e eu cantava na pista as músicas que tocavam. Era ali que queria estar, naquele momento é o que eu queria estar fazendo. Estar naquele carro, cantando, com marido do lado e as crias atrás. Mesmo com uma dormindo, e outro reclamando, que hora vamos chegar?
E depois, hora que eu cheguei em casa, tomei banho e peguei uma cerveja. Tomei no sofá com eles e comi o macarrão do dia anterior.
Depois do passeio, das coisas vistas, boas e ruins, compras, o cansaço. O bom foi minha roupa limpa, cerveja, macarrão passado e eles.
Melhor do que ser grato, é poder ser feliz com o simples e fácil, senão burocratizamos a ação, e o nosso domingo precisa ser preenchido de acontecimentos fantásticos, caros e ilustres para que possamos gostar e assim sermos grato.
E eu sou extremamente grata por ser simples.
É uma armadilha da atualidade. Quando eu não me conecto com meus desejos, com esse simples, vou acreditando que o glamour, o brilho e o caro vai me fazer sentir algo diferente, e infelizmente, muitas vezes, isso só aumenta a insatisfação, já que passado tudo isso voltamos ao Gostei mais ou menos ou ainda, é... não foi tudo aquilo.
Bom, a boa noticia é que é domingo, e eu escrevi. Eu quis fazer isso.
Eu confesso que tive uma motivação especial, li um comentário da minha irmã que me fortaleceu e incentivou.
Ela disse que minha presença amanhece com ela e dá força. Hoje foi a presença dela que me trouxe aqui.
No meu domingo, as 14:48h eu escolhi estar aqui, pra estar mais próxima desses amores, e dessa minha essência que por aqui se manifesta.
Foi meu jeito de ir na minha mãe, ligar pra uma amiga, abraçar alguém querido.
Agora deixo vocês com uma imagem (minha) e frase (que é do Quintana, mas Leoni e o Teatro Mágico também já disseram) e que eu gosto muito:
E vou lá domingar mais um pouco.
Até breve!
E eu acho mesmo, que domingo é uma bela amostra e recorte da vida de uma maneira em geral.
O domingo é livre (bem, nem sempre ou pra todos, mas vamos imaginar aqui que sim).
É um dia aberto ao preenchimento que quisermos.
Dá pra ser esportista, mesmo que você não o seja a semana toda.
Dá pra dormir até, mesmo que você não tenha esse hábito sempre.
Dá pra cozinhar, comer muito, em casa ou fora, mesmo que a semana tenha sido no miojo e lasanha congelada.
Dá pra falar com os amigos, visitar a família, ver filme, ler, lavar o cachorro.
Aguar as plantas, namorar, dormir de novo.
Dá pra ficar na internet, zerar as obrigações, criar novas.
Dá pra sonhar com a segunda e com um mundo diferente.
Se domingo fosse um verbo, domingar, seria isso tudo e mais um pouco. Seria o que você quisesse.
DOMINGAR - FAZER O QUE VOCÊ QUER, NA HORA QUE VOCÊ QUER, DO JEITO QUE VOCÊ QUER.
Na vida também é assim, também somos livres, mas vamos nos amarrando a tantas coisas pesadas e indesejadas, que as vezes só sobra o domingo, e olha lá heim.
A minha vida louca e corrida me ensinou muitas coisas, mas a lição sobre o domingo talvez tenha sido uma das mais valiosas.
Ao menos nesse dia, eu só fazia e faço o que quero. De acordar na hora que quero, a dormir de novo em momentos inusitados.
A quebra de ritmo vai desde de almoçar as 15h ou 17h, como tirar um cochilo as 13h.
Também era comum no Brasil ir ao mercado as 18:30h e começar a organizar a casa as 20h.
Não tem coerência nenhuma de horário, porque cada domingo era em um ritmo. O que ditava esse ritmo era uma necessidade essencial, de dormir, de comer algo, de ver alguém especial, de ir ao centro, estar com minha família e todas essas coisas.
A prioridade é atender caprichos.
É engraçado pensar, que precisemos quebrar o ritmo, pra seguir nosso ritmo. Porque isso está dizendo que vivemos a maior parte do tempo sacrificando o nosso ritmo e desejo pra viver inserido em outro ou outros ritmos, que não foram ditados ou organizados por nós.
Claro que na prática, precisamos do ritmo louco da semana pra sobreviver, trabalho, escola, compromissos. Mas é muito louco, que na quebra desse ritmo que encontramos o nosso e o podemos pensar em respeita-lo.
A vida acontece num piscar de olhos pra que a gente passe por ela esperando as sextas, sábados ou domingos pra atender nossos desejos e ritmo pessoal.
Eu entendo, que não cabe isso no dia a dia, mas uma coisinha que seja dá pra levar.
Um prazerzinho aqui, um cuidado ali.
Nós não nos olhamos, não nos cuidamos. Normalmente não atendemos nossas necessidades básicas porque não as conhecemos, e por aí vamos numa bola de neve de insatisfação.
Se não sabemos o que queremos, tudo vai servir mais ou menos. Que é um outro jeito de dizer que nada vai servir bem.
Então requisito básico para DOMINGAR, saber o que você vai querer (ou não querer) fazer.
É algo como ir a um restaurante e poder escolher um prato. Ou ter uma ferramenta pra ação, como uma vara pra pescar. Ou uma bicicleta para andar na ciclovia.
Domingar pede saber o que quer e depois de saber...apenas fazer...ou não.
Repeti de propósito. É o simples complexo.
Parece simples né, vai lá fazer que você vai ver que não é não. Complexo então...
Houve um momento da minha vida que eu não tinha o mínimo contato comigo mesma, vivia respondendo a demandas externas o tempo todo.
Trabalho, clientes, faculdade, filhos, marido, família, amigos, centro espirita, trabalho voluntário.
Havia um personagem de Marielen que se relacionava em todos esses espaços, mas quando era questionada sobre o que gostava, um ponto de interrogação gigante tomava conta da minha cabeça.
Eu respondia rápido, nunca gostei de não ter resposta. Dizia logo: Eu gosto de tudo. Que é também um outro jeito de dizer que não gosto especialmente de nada.
Passei por um longo luto que foi extremamente necessário para entrar em contato com minha identidade. Eu havia perdido minhas digitais ao longo do caminho.
Não foi uma tarefa fácil, mas eu tenho uma dica. Persigam os incômodos.
Se em algum momento não estamos em contato com nós mesmos e nossas necessidades, se o nosso domingar ainda está difícil, veja o que é incomodo, o que você não gosta de fazer, o que traz uma angustia, uma cabeça pesada um estomago revirado.
Uma sensação de incomodo mesmo,em geral... e comece eliminando isso.
Para depois encontrar o que vai ser bom.
Para depois ainda encontrar o que te apetece,
te dá prazer,
brilha os olhos
e te deixa em paz.
Comecem a se atender nas pequenas necessidades: um banho fora de hora, um cochilo, uma bebida gelada.
Feito isso, quando você já souber, e puder domingar, leve um pouco desse domingo pra cada dia da sua semana.
Um banho bom na segunda, um cochilo na terça, uma ligação para alguém querido na quarta, finalmente um encerramento de assinatura que não te serve na quinta, um chopp com uma amiga na sexta, um esporte no sábado, enfim um momento, uma coisa só que te satisfaz em cada dia da semana.
Não necessariamente nessa ordem, nem nesses moldes. Simplifique.
Comece por algo pequeno, pra que você possa sentir um pequeno prazer e a gratidão que vem com isso.
Em outro momento eu vou falar dessa gratidão, que é um tema que eu amo de paixão, mas antes, precisamos identificar nossos desejos. Carecemos disso.
Se os desejos forem simples, realizar. Se forem complexos, trabalhar por eles.
Porque na realização desse simples, a gratidão se manifesta e o coração se alimenta.
Ontem, fizemos um passeio delicia, aqui perto em Houston. Foi muito bom, mesmo.
Mas se você me perguntar de todos os momentos do dia, os meus favoritos, eu diria dois.
O caminho, enquanto o marido dirigia, o sol tava lindo e eu cantava na pista as músicas que tocavam. Era ali que queria estar, naquele momento é o que eu queria estar fazendo. Estar naquele carro, cantando, com marido do lado e as crias atrás. Mesmo com uma dormindo, e outro reclamando, que hora vamos chegar?
E depois, hora que eu cheguei em casa, tomei banho e peguei uma cerveja. Tomei no sofá com eles e comi o macarrão do dia anterior.
Depois do passeio, das coisas vistas, boas e ruins, compras, o cansaço. O bom foi minha roupa limpa, cerveja, macarrão passado e eles.
Melhor do que ser grato, é poder ser feliz com o simples e fácil, senão burocratizamos a ação, e o nosso domingo precisa ser preenchido de acontecimentos fantásticos, caros e ilustres para que possamos gostar e assim sermos grato.
E eu sou extremamente grata por ser simples.
É uma armadilha da atualidade. Quando eu não me conecto com meus desejos, com esse simples, vou acreditando que o glamour, o brilho e o caro vai me fazer sentir algo diferente, e infelizmente, muitas vezes, isso só aumenta a insatisfação, já que passado tudo isso voltamos ao Gostei mais ou menos ou ainda, é... não foi tudo aquilo.
Bom, a boa noticia é que é domingo, e eu escrevi. Eu quis fazer isso.
Eu confesso que tive uma motivação especial, li um comentário da minha irmã que me fortaleceu e incentivou.
Ela disse que minha presença amanhece com ela e dá força. Hoje foi a presença dela que me trouxe aqui.
No meu domingo, as 14:48h eu escolhi estar aqui, pra estar mais próxima desses amores, e dessa minha essência que por aqui se manifesta.
Foi meu jeito de ir na minha mãe, ligar pra uma amiga, abraçar alguém querido.
Agora deixo vocês com uma imagem (minha) e frase (que é do Quintana, mas Leoni e o Teatro Mágico também já disseram) e que eu gosto muito:
"Que ser feliz é simples, difícil é ser tão simples."
E vou lá domingar mais um pouco.
Até breve!

Que delícia de domingo meu amor, a tarde me deu um desânimo uma canseira, mas também não era pra menos em espírito estive em college uma viagem longe pra dedéu, mas especialmente maravilhosa, cheguei em casa ajetei as coisas, tomei um banho delícioso, preparei um prato diferente para o jantar, agora estou no sofá, ufa. Obrigada!!!
ResponderExcluirFica em paz, te amo muito <3
Você me fez lembrar de alguns domingos que domingamos
ResponderExcluirDe risotos com moscatel até um macarrão com molho de hortelã e sua Coca-cola.
Obrigada por me lembrar que as vezes o simples é tudo que queremos e precisamos. Bjs