Dia de gratidão
Nossa, faz quase uma semana que eu não escrevo, mas parece que faz meses.
Tantas coisas aconteceram nesses dias.
A vida da gente é isso mesmo, um dinamismo tremendo, só não vive isso quem não está presente nela, de corpo e espirito, porque se você está... é colocado em inúmeras situações, das mais diversas formas, e precisa reagir a elas, do ponto de vista prático, mental e espiritual.
Guimarães Rosa diz, que o que ela quer de nós é coragem. E isso, aqui, felizmente ainda não faltou.
Junto com a chuvinha e expressão de Deus na segunda passada, chegaram os sinais que minha sobrinha estava vindo e também um diagnóstico muito difícil para uma pessoa que eu amo muito.
A natureza é sabia, e o Universo perfeito. Na nossa família é assim, recebemos sempre em dobro. Uma benção e uma aflição.
E isso é mais benção que aflição.
Sempre diante de um turbilhão, ou perda, encontramos caminhos e motivos para continuar. Não foi diferente dessa vez, teremos um caminho árduo de cuidados daqui pra frente e teremos a princesa recém nascida, que já nos alegra e encanta a cada viradinha de olhos, balbucio ou expressão.
Pra quem consegue puxar minha localização (dizem as más línguas que do safari dá), eu estou no Brasil. Cheguei na quinta, e foi por isso que o blog ficou meio paradinho. Não foi só ele. A dieta, leituras, rotina e exercícios também. (Me perdoa professora!)
Sem contar o coração, dividido, que tem uma parte iluminada e fica com a outra no escuro.
Faz tempo que é assim. Não foi nem minha partida que inaugurou isso, na verdade foi a ida do marido. Desde lá só em dezembro, com todos aqui nas festas de natal e ano novo que a coisa foi mais inteira.
Isso não é tanto uma queixa, é mais uma constatação e lamento. É algo do nosso dia a dia que vamos aprendendo a lidar.
Mas hoje, abri o note rapidinho, aqui na casa dos meus pais, entre mala, roupão e cheiro de mãe, para escrever sobre o dia dos pais.
Primeiramente agradecer ao meu pai, que me deu tantas coisas ao longo da vida. Desde miopia e bronquite até o interesse por inglês e o ser eclética musicalmente falando. Ele tinha visão. Quando me estimulava tanto e tão precocemente na leitura e palavrinhas em inglês deveria sonhar com a presidência da republica hahaha, só que não né.
Não deu (graças a Deus) mas o inglês tem sido mais útil que nunca, o óculos é um charme e o ser eclético um aconchego na minha alma, fácil de satisfazer.
Também herdei a crítica mas que dosada com o bom senso da minha mãe, me fez uma versão claramente melhorada.
Algumas teorias defendem a tese de que existem traços da personalidade humana que só serão desenvolvidos com uma presença e convivência saudável paterna. Algumas pessoas não desenvolvem, outras o fazem a partir de contato com avós, tios, referencias masculinas em geral, e outros ainda o fazem de maneira deformada, a partir de relações destrutivas e amargas para os pequenos.
Meu pai foi bem. Acertou até quando errou, e eis que hoje sou exatamente a pessoa que gostaria de ser. (Mais de 15 anos de analise depois hahaha, mas tá valendo).
Mas hoje eu também quero falar do meu marido.
Ele se tornou pai repentinamente, e se torna gradualmente a cada dia.
O foi por escolha, visto que poderia passar, e ainda assim nem de longe seria comparado aos covardes que abandonam suas esposas e filhos, ou mulheres que "apenas" carregam um filho seu.
Essa não era a família dele, mas ele quis que fosse.
Um homem que assume uma família inteira, que topa cuidar dos filhos de outro carrega em si um tanto de nobreza e muito de boa vontade, diz a lenda que são eternamente abençoados e amparados na sua tarefa, bem de perto pelos anjos e cuidadores da Terra.
A tarefa deles é muitas vezes dura. Eles não são naturalmente recebidos com festa e algazarra, é uma relação construída, dia a dia. Eles não só precisam ser referência, como também precisam lidar com um abandono anterior e uma referência muitas vezes bem ruim.
É claro que existem exceções, e famílias que convivem com 2 pais, ou que o marido da mãe ocupe um lugar de marido da mãe mesmo e o pai continue presente e cuidadoso. Que Deus abençoe esses também e que possamos cuidar para que não sejam extintos, porque hoje, para milhares de mulheres e famílias eles são exceção.
Nosso exemplar aqui de casa também é. Porque ele não só abraçou a causa, como também, quem vê ele em ação tem certeza que ele nasceu para isso.
Preocupado, cuidadoso e amoroso, refaz a cada dia, a cada momento e situação a referência deles. Ensina que homens ficam, cuidam, choram e amam amam amam.
Se desenvolve a cada novo desafio, cada nova pergunta, fase, ou esporte novo (que diga-se de passagem aqui em casa são muitos).
Me apoia na medida certa e enxuga aquelas lágrimas que toda mãe já derramou na hora de dormir por não saber se acertou, se pegou pesado ou simplesmente passou da conta por TPM.
Ele é provedor. Prove desde afeto a escola. Atividades a brincadeiras. Sorvete e piadinhas novas.
Enfim, no cartão de aniversário dele desse ano, estava escrito que o mundo seria um lugar melhor se tivessem mais homens como ele.
Demorou pra achar esse cartão mas ele foi muito, muito legítimo. É pura verdade.
Ele é meu presente do universo, minha recompensa por dias tão duros e difíceis.
Colheita do meu bom plantio. É nossa benção.
Claro que essas palavras são ditas com muita saudade, mas também com muita admiração.
Hoje ele está lá, no outro continente com as crias.
Cuidando, amparando e me imitando às vezes (hahaha não precisa mudar a voz amor).
Feliz dia dos pais amor! Obrigada pela sua presença.
E sobre tudo que aconteceu essa semana, tantas coisas passaram na minha cabeça, é tão simbólico esse looping mental que (pode) acontecer e sempre acontece (pelo menos comigo) numa viagem área longa. Voos noturnos poderiam também ser citados como trabalhos de expansão de consciência, ou aprofundamento emocional.
Enfim, deem o nome que quiser. O fato é que mergulhados na instabilidade, no avião em pleno voo, temos uma oportunidade de rever nossa vida, atos e pensamentos da perspectiva da suspensão de desta.
O risco, a insegurança a instabilidade trazem aprendizados tremendos. Especialmente quando é presumido e figurado. Quando um pouco depois descemos em terra firme, ganhamos abraços e comida caseira.
Tenho muito que escrever, e se não tiver tempo aqui, chegando lá vou me fazendo em palavras.
Por hoje deu, preciso abaixar a tela e viver mais um pouco, meus limitados dias aqui juntos dos meus, rodeada de tanto amor, preocupação, bagunça, comida, implicância e tudo aquilo que família normalmente é.
Gratidão por hoje, por esses pais tão importantes na minha vida e ao caminho que me trouxe até aqui, mesmo ao pai que não esteve presente, ele também colaborou para esse momento de hoje.
Gratidão é uma carta de amor que mandamos ao universo, e que a minha de hoje possa ser cheia deste, alcançando corações que estejam apertados, essas datas comerciais esbarram muito nos conteúdos emocionais.
Tantas coisas aconteceram nesses dias.
A vida da gente é isso mesmo, um dinamismo tremendo, só não vive isso quem não está presente nela, de corpo e espirito, porque se você está... é colocado em inúmeras situações, das mais diversas formas, e precisa reagir a elas, do ponto de vista prático, mental e espiritual.
Guimarães Rosa diz, que o que ela quer de nós é coragem. E isso, aqui, felizmente ainda não faltou.
Junto com a chuvinha e expressão de Deus na segunda passada, chegaram os sinais que minha sobrinha estava vindo e também um diagnóstico muito difícil para uma pessoa que eu amo muito.
A natureza é sabia, e o Universo perfeito. Na nossa família é assim, recebemos sempre em dobro. Uma benção e uma aflição.
E isso é mais benção que aflição.
Sempre diante de um turbilhão, ou perda, encontramos caminhos e motivos para continuar. Não foi diferente dessa vez, teremos um caminho árduo de cuidados daqui pra frente e teremos a princesa recém nascida, que já nos alegra e encanta a cada viradinha de olhos, balbucio ou expressão.
Pra quem consegue puxar minha localização (dizem as más línguas que do safari dá), eu estou no Brasil. Cheguei na quinta, e foi por isso que o blog ficou meio paradinho. Não foi só ele. A dieta, leituras, rotina e exercícios também. (Me perdoa professora!)
Sem contar o coração, dividido, que tem uma parte iluminada e fica com a outra no escuro.
Faz tempo que é assim. Não foi nem minha partida que inaugurou isso, na verdade foi a ida do marido. Desde lá só em dezembro, com todos aqui nas festas de natal e ano novo que a coisa foi mais inteira.
Isso não é tanto uma queixa, é mais uma constatação e lamento. É algo do nosso dia a dia que vamos aprendendo a lidar.
Mas hoje, abri o note rapidinho, aqui na casa dos meus pais, entre mala, roupão e cheiro de mãe, para escrever sobre o dia dos pais.
Primeiramente agradecer ao meu pai, que me deu tantas coisas ao longo da vida. Desde miopia e bronquite até o interesse por inglês e o ser eclética musicalmente falando. Ele tinha visão. Quando me estimulava tanto e tão precocemente na leitura e palavrinhas em inglês deveria sonhar com a presidência da republica hahaha, só que não né.
Não deu (graças a Deus) mas o inglês tem sido mais útil que nunca, o óculos é um charme e o ser eclético um aconchego na minha alma, fácil de satisfazer.
Também herdei a crítica mas que dosada com o bom senso da minha mãe, me fez uma versão claramente melhorada.
Algumas teorias defendem a tese de que existem traços da personalidade humana que só serão desenvolvidos com uma presença e convivência saudável paterna. Algumas pessoas não desenvolvem, outras o fazem a partir de contato com avós, tios, referencias masculinas em geral, e outros ainda o fazem de maneira deformada, a partir de relações destrutivas e amargas para os pequenos.
Meu pai foi bem. Acertou até quando errou, e eis que hoje sou exatamente a pessoa que gostaria de ser. (Mais de 15 anos de analise depois hahaha, mas tá valendo).
Mas hoje eu também quero falar do meu marido.
Ele se tornou pai repentinamente, e se torna gradualmente a cada dia.
O foi por escolha, visto que poderia passar, e ainda assim nem de longe seria comparado aos covardes que abandonam suas esposas e filhos, ou mulheres que "apenas" carregam um filho seu.
Essa não era a família dele, mas ele quis que fosse.
Um homem que assume uma família inteira, que topa cuidar dos filhos de outro carrega em si um tanto de nobreza e muito de boa vontade, diz a lenda que são eternamente abençoados e amparados na sua tarefa, bem de perto pelos anjos e cuidadores da Terra.
A tarefa deles é muitas vezes dura. Eles não são naturalmente recebidos com festa e algazarra, é uma relação construída, dia a dia. Eles não só precisam ser referência, como também precisam lidar com um abandono anterior e uma referência muitas vezes bem ruim.
É claro que existem exceções, e famílias que convivem com 2 pais, ou que o marido da mãe ocupe um lugar de marido da mãe mesmo e o pai continue presente e cuidadoso. Que Deus abençoe esses também e que possamos cuidar para que não sejam extintos, porque hoje, para milhares de mulheres e famílias eles são exceção.
Nosso exemplar aqui de casa também é. Porque ele não só abraçou a causa, como também, quem vê ele em ação tem certeza que ele nasceu para isso.
Preocupado, cuidadoso e amoroso, refaz a cada dia, a cada momento e situação a referência deles. Ensina que homens ficam, cuidam, choram e amam amam amam.
Se desenvolve a cada novo desafio, cada nova pergunta, fase, ou esporte novo (que diga-se de passagem aqui em casa são muitos).
Me apoia na medida certa e enxuga aquelas lágrimas que toda mãe já derramou na hora de dormir por não saber se acertou, se pegou pesado ou simplesmente passou da conta por TPM.
Ele é provedor. Prove desde afeto a escola. Atividades a brincadeiras. Sorvete e piadinhas novas.
Enfim, no cartão de aniversário dele desse ano, estava escrito que o mundo seria um lugar melhor se tivessem mais homens como ele.
Demorou pra achar esse cartão mas ele foi muito, muito legítimo. É pura verdade.
Ele é meu presente do universo, minha recompensa por dias tão duros e difíceis.
Colheita do meu bom plantio. É nossa benção.
Claro que essas palavras são ditas com muita saudade, mas também com muita admiração.
Hoje ele está lá, no outro continente com as crias.
Cuidando, amparando e me imitando às vezes (hahaha não precisa mudar a voz amor).
Feliz dia dos pais amor! Obrigada pela sua presença.
E sobre tudo que aconteceu essa semana, tantas coisas passaram na minha cabeça, é tão simbólico esse looping mental que (pode) acontecer e sempre acontece (pelo menos comigo) numa viagem área longa. Voos noturnos poderiam também ser citados como trabalhos de expansão de consciência, ou aprofundamento emocional.
Enfim, deem o nome que quiser. O fato é que mergulhados na instabilidade, no avião em pleno voo, temos uma oportunidade de rever nossa vida, atos e pensamentos da perspectiva da suspensão de desta.
O risco, a insegurança a instabilidade trazem aprendizados tremendos. Especialmente quando é presumido e figurado. Quando um pouco depois descemos em terra firme, ganhamos abraços e comida caseira.
Tenho muito que escrever, e se não tiver tempo aqui, chegando lá vou me fazendo em palavras.
Por hoje deu, preciso abaixar a tela e viver mais um pouco, meus limitados dias aqui juntos dos meus, rodeada de tanto amor, preocupação, bagunça, comida, implicância e tudo aquilo que família normalmente é.
Gratidão por hoje, por esses pais tão importantes na minha vida e ao caminho que me trouxe até aqui, mesmo ao pai que não esteve presente, ele também colaborou para esse momento de hoje.
Gratidão é uma carta de amor que mandamos ao universo, e que a minha de hoje possa ser cheia deste, alcançando corações que estejam apertados, essas datas comerciais esbarram muito nos conteúdos emocionais.
E que possa ser para o bem, mesmo quando for difícil.
Até breve!

Que bom olhar para nossa trajetória de vida e ter tanto para agradecer. Gratidão o sentimento mais nobre,
ResponderExcluirPois ,só tem quem AMA.