Deus hoje chegou em chuva
Hoje a segunda amanheceu chuvosa. Uma chuvinha calma e contínua, que banha meu coração de paz e gratidão.
Ela traz consigo serenidade e pureza. É o banho da natureza.
Tem trovões também que me remetem o tempo todo a força das águas.
Pra mim a água tem esse quê de sagrado.
Somos 75% água.
O planeta também.
Essa água que está presente desde o útero, que alimenta, banha, purifica.
No consultório eu sempre bebi muita água, muita mesmo. Uma média de 700ml a 1l por sessão.
Num dia de 8 sessões vocês podem imaginar como era o trabalho da minha pobre bexiga.
Era o meu momento de inspiração, o recurso que eu precisava para tirar meus olhos do paciente, degustar do paladar e dos pensamentos que vinham com ela.
Além disso eu mantinha cristais e hematitas na minha moringa, eu acreditava que assim que conectava melhor com a natureza.
Uma espécie de conexão com o todo e com o profundo. Sei lá, pra mim fazia bem e muito sentido.
Claro que com a chuva temos desastres e desabrigo.
Todas as noites, ao dormir em uma cama confortável, limpa e quente, penso nos que dormem ao relento. Molhados ou com frio.
Não há mal em pensar na humanidade sofredora, pelo contrário. Nos vacina contra a crença do mundo perfeito e nos mantem gratos.
Existe muita dor e sofrimento nesse mundo, muitas pessoas que não podem ou conseguem dormir, e que dormindo desejam não acordar.
Essas pessoas podem ser muito diferentes de nós em alguns aspectos e ao mesmo tempo serem muito parecidas.
Com frio, com fome, com medo, nossas reações acabam sendo muito parecidas.
Ontem eu assisti A Cabana novamente, o marido ainda não tinha visto.
Cuidado, contem spoilers
Obviamente achei o livro muito melhor, como de praxe, mas esse ainda um pouco mais por se tratar de um conceito tão abstrato quanto a divindade. Ao mesmo tempo achei que eles conseguiram dar forma a conceitos profundos e sutis, o que me deixou maravilhada.
Não quero questionar a veracidade do conteúdo, embora minha opinião seja que de fato seria possível, que após o acidente ele tenha se desdobrado e encontrado com Deus de alguma forma.
Sempre penso que qualquer encontro, sonho ou miração dessa natureza estará sujeita a nossas necessidades e possibilidade de compreensão, o que fica muito claro na estória.
Além disso, me chama muito atenção e concordo especialmente, com o fato que compreendemos a Deus segundo nossa relação com nosso pai. Sim nosso pai, e não nossa mãe.
A cultura ocidental reforça o tempo todo a imagem de Deus Pai Todo Poderoso, logo é a partir desse vértice que construímos essa imagem, é a representação possível de segurança, justiça e proteção.
A partir disso, é uma tragédia da humanidade a quantidade de pais covardes, ausentes, que abandonam, ferem e punem com crueldade. Ou simplesmente indiferentes, que já é uma boa catástrofe.
Não que não hajam mães ruins, e tantos pais fantásticos, mas o comum, o meião, tá feito disso.
Aqui cabe uma ressalva, pra esses e outros tantos temas, que quando falo algo, não quer dizer que seja a única possibilidade de verdade e que isso extingua todas as outras vertentes.
Por questões obvias não posso abordar tudo, mas uma coisa nunca exclui a outra. Normalmente os pontos coexistem e se complementam ou minimamente podem dialogar.
Façam uso do bom senso, sempre que necessário.
Bom senso e canja de galinha, não faz mal pra ninguém.
Retomando...
Com a nossa representação de mãe podemos brigar, descordar e nos manter distantes, se assim for preciso, mas uma vez próximas dela a coberta está a disposição, a comida fresca e gostosa na panela e o dorme com Deus dito na porta do quarto.
Pensei muito sobre isso durante minha vinda pra cá, sempre me senti uma filha especial e amada, por meus pais e por Deus.
No Brasil me sentia especialmente protegida e cuidada, e temia não conseguir caminhar por outros lugares com a mesma sensação de segurança, conforto e proteção. Era mais um dos trocentos medos que me rodeavam, mas foi um dos primeiros a ser eliminado.
Já há algum tempo, eu fui me distanciando das convenções religiosas, para me encontrar mais com Deus dentro de mim e no altar da natureza.
Foi um processo lento, que começou querendo praias mais preservadas, lugares de natureza mais bruta, contato com minas, nascentes e matas.
Isso tudo foi extremamente necessário para que a proteção e segurança caminhasse comigo, porque afinal a natureza está em tudo ao meu redor.
E assim, aos poucos pude perceber que o mundo todo é casa do meu pai, então eu sou filha protegida em todo chão que piso.
Eu não saberia explicar como chegar nisso, e claro, sou muito grata aos meus pais terrenos pelo cuidado e carinho de sempre, que me permitiu alcançar essa compreensão.
Mas eu tenho dica:
É bom começar acreditando que existe um bem maior, chame ele do que você quiser, Deus, o Grande espirito, a ordem, Gadu, enfim...o nome não importa.
(Acredite que o melhor será feito de tudo, por tudo e para tudo)
Pense que existe uma caminhada evolutiva constante acontecendo nesse momento.
(E que você faz parte disso, hoje não é como foi ontem e nem como será amanhã)
E considere que existe o livre arbítrio e a lei da causa e efeito.
(Ou seja você é amplamente livre para escolher, mas arcará com as consequências de todas as suas escolhas ou não escolhas. O amanhã será tal qual você tenha plantado hoje. E por mais difícil que possa estar esse momento, lembre que ao mesmo tempo em que colhe, está plantando e concentre sua energia nessa colheita futura)
Se você acreditar nesses três pontos está feito seu alicerce relacional com a tal força potente que circunda o universo.
Eu não vou me aventurar a falar sobre criação, nem tampouco sobre qualquer condição para tal.
Eu também tenho muitas dúvidas e pouquissimas certezas.
Mas dentre as minhas certezas, uma delas é que é necessário um certo nível de gratidão e sintonia para se conectar com essa proteção e força, e que o material para essa conexão sem dúvida nenhuma é o amor.
Amor pelos filhos, amigos, natureza. Pela família, animais, pacientes. Pela profissão, pela humanidade, pelo planeta. Por nós.
Esse amor nos reveste do material necessário para a viagem nesse outro nível de energia.
É simples.
Chato ficar lendo que tudo é simples, que casseta! Mas o pior é que é mesmo. Sinto muito.
E qual a necessidade disso, dessa conexão e proteção, já que talvez tenha gente que viva muito bem e obrigada sem nada disso.
Pode ser mesmo que não haja nenhuma necessidade, mas eu me boto a pensar...
Pensa em você estar em uma casa que não conheça o dono. Ou ainda, que esteja lá, sem querer se relacionar com ele.
Você escuta rumores de que ele é um ótimo pai, amigo e protetor, mas nunca o viu, ou ele não é para você.
Certamente você sofre e não se sente confortável aqui nessa Terra.
Então é por isso que ofereci essas dicas, e dou mais uma: se for mais confortável, o humanize.
Coloque-o sobre a forma da melhor pessoa que você se relacionou. E se você não pode alcançar esse amor na figura da sua mãe ou pai, experimente pegar emprestado a mãe ou pai daquela amiga, prima ou de alguém que te pareça mais adequado para essa tarefa.
O ser humano é relacional, é difícil manter contato com um Deus distante.
Eu penso muito na Deusa mãe, Mãe natureza e em todos os movimentos desta como parte de mim.
Simplifique sua relação com ele.
Acho que esse é o grande objetivo do livro/filme.
Tem um livro, chamado As mulheres de Freud, que diz inclusive que ele gostaria de ser reconhecido como a mãe da psicanalise, uma vez que em todas as vezes que chegou perto ou conseguiu o que chamamos de cura, ocupava no setting terapêutico o lugar transferencial de mãe, e não de pai.
Bom, após tudo isso, quero dizer que sempre que eu devaneio com alguém, eu digo que se lhe servir que você guarde, senão que você jogue no vento.
Embora seja um tema delicado para estabelecer uma conversa, visto que somado a ele estão crenças coletivas e pessoais influenciando essa compreensão, eu quis dividir um pouco da minha compreensão e maneira de me relacionar.
Isso é pessoal mesmo, e eu divido com vocês como quem diz, pode ir lá abraçar a mãe, ela é tão legal, vai te dar um abraço gostoso e você vai se sentir melhor.
Meu texto é composto de um desejo que todos possam experimentar essa bem aventurança e paz.
E por último, faço minhas as palavras de Ariano Suassuna:
"Se eu não acreditasse em Deus, seria um desesperado."
E para quem desejar, aqui está o vídeo curtinho onde ele diz isso e que sempre vale a pena rever.
https://www.youtube.com/watch?v=Beq961fusnk
Ela traz consigo serenidade e pureza. É o banho da natureza.
Tem trovões também que me remetem o tempo todo a força das águas.
Pra mim a água tem esse quê de sagrado.
Somos 75% água.
O planeta também.
Essa água que está presente desde o útero, que alimenta, banha, purifica.
No consultório eu sempre bebi muita água, muita mesmo. Uma média de 700ml a 1l por sessão.
Num dia de 8 sessões vocês podem imaginar como era o trabalho da minha pobre bexiga.
Era o meu momento de inspiração, o recurso que eu precisava para tirar meus olhos do paciente, degustar do paladar e dos pensamentos que vinham com ela.
Além disso eu mantinha cristais e hematitas na minha moringa, eu acreditava que assim que conectava melhor com a natureza.
Uma espécie de conexão com o todo e com o profundo. Sei lá, pra mim fazia bem e muito sentido.
Claro que com a chuva temos desastres e desabrigo.
Todas as noites, ao dormir em uma cama confortável, limpa e quente, penso nos que dormem ao relento. Molhados ou com frio.
Não há mal em pensar na humanidade sofredora, pelo contrário. Nos vacina contra a crença do mundo perfeito e nos mantem gratos.
Existe muita dor e sofrimento nesse mundo, muitas pessoas que não podem ou conseguem dormir, e que dormindo desejam não acordar.
Essas pessoas podem ser muito diferentes de nós em alguns aspectos e ao mesmo tempo serem muito parecidas.
Com frio, com fome, com medo, nossas reações acabam sendo muito parecidas.
Ontem eu assisti A Cabana novamente, o marido ainda não tinha visto.
Cuidado, contem spoilers
Obviamente achei o livro muito melhor, como de praxe, mas esse ainda um pouco mais por se tratar de um conceito tão abstrato quanto a divindade. Ao mesmo tempo achei que eles conseguiram dar forma a conceitos profundos e sutis, o que me deixou maravilhada.
Não quero questionar a veracidade do conteúdo, embora minha opinião seja que de fato seria possível, que após o acidente ele tenha se desdobrado e encontrado com Deus de alguma forma.
Sempre penso que qualquer encontro, sonho ou miração dessa natureza estará sujeita a nossas necessidades e possibilidade de compreensão, o que fica muito claro na estória.
Além disso, me chama muito atenção e concordo especialmente, com o fato que compreendemos a Deus segundo nossa relação com nosso pai. Sim nosso pai, e não nossa mãe.
A cultura ocidental reforça o tempo todo a imagem de Deus Pai Todo Poderoso, logo é a partir desse vértice que construímos essa imagem, é a representação possível de segurança, justiça e proteção.
A partir disso, é uma tragédia da humanidade a quantidade de pais covardes, ausentes, que abandonam, ferem e punem com crueldade. Ou simplesmente indiferentes, que já é uma boa catástrofe.
Não que não hajam mães ruins, e tantos pais fantásticos, mas o comum, o meião, tá feito disso.
Aqui cabe uma ressalva, pra esses e outros tantos temas, que quando falo algo, não quer dizer que seja a única possibilidade de verdade e que isso extingua todas as outras vertentes.
Por questões obvias não posso abordar tudo, mas uma coisa nunca exclui a outra. Normalmente os pontos coexistem e se complementam ou minimamente podem dialogar.
Façam uso do bom senso, sempre que necessário.
Bom senso e canja de galinha, não faz mal pra ninguém.
Retomando...
Com a nossa representação de mãe podemos brigar, descordar e nos manter distantes, se assim for preciso, mas uma vez próximas dela a coberta está a disposição, a comida fresca e gostosa na panela e o dorme com Deus dito na porta do quarto.
Pensei muito sobre isso durante minha vinda pra cá, sempre me senti uma filha especial e amada, por meus pais e por Deus.
No Brasil me sentia especialmente protegida e cuidada, e temia não conseguir caminhar por outros lugares com a mesma sensação de segurança, conforto e proteção. Era mais um dos trocentos medos que me rodeavam, mas foi um dos primeiros a ser eliminado.
Já há algum tempo, eu fui me distanciando das convenções religiosas, para me encontrar mais com Deus dentro de mim e no altar da natureza.
Foi um processo lento, que começou querendo praias mais preservadas, lugares de natureza mais bruta, contato com minas, nascentes e matas.
Isso tudo foi extremamente necessário para que a proteção e segurança caminhasse comigo, porque afinal a natureza está em tudo ao meu redor.
E assim, aos poucos pude perceber que o mundo todo é casa do meu pai, então eu sou filha protegida em todo chão que piso.
Eu não saberia explicar como chegar nisso, e claro, sou muito grata aos meus pais terrenos pelo cuidado e carinho de sempre, que me permitiu alcançar essa compreensão.
Mas eu tenho dica:
É bom começar acreditando que existe um bem maior, chame ele do que você quiser, Deus, o Grande espirito, a ordem, Gadu, enfim...o nome não importa.
(Acredite que o melhor será feito de tudo, por tudo e para tudo)
Pense que existe uma caminhada evolutiva constante acontecendo nesse momento.
(E que você faz parte disso, hoje não é como foi ontem e nem como será amanhã)
E considere que existe o livre arbítrio e a lei da causa e efeito.
(Ou seja você é amplamente livre para escolher, mas arcará com as consequências de todas as suas escolhas ou não escolhas. O amanhã será tal qual você tenha plantado hoje. E por mais difícil que possa estar esse momento, lembre que ao mesmo tempo em que colhe, está plantando e concentre sua energia nessa colheita futura)
Se você acreditar nesses três pontos está feito seu alicerce relacional com a tal força potente que circunda o universo.
Eu não vou me aventurar a falar sobre criação, nem tampouco sobre qualquer condição para tal.
Eu também tenho muitas dúvidas e pouquissimas certezas.
Mas dentre as minhas certezas, uma delas é que é necessário um certo nível de gratidão e sintonia para se conectar com essa proteção e força, e que o material para essa conexão sem dúvida nenhuma é o amor.
Amor pelos filhos, amigos, natureza. Pela família, animais, pacientes. Pela profissão, pela humanidade, pelo planeta. Por nós.
Esse amor nos reveste do material necessário para a viagem nesse outro nível de energia.
É simples.
Chato ficar lendo que tudo é simples, que casseta! Mas o pior é que é mesmo. Sinto muito.
E qual a necessidade disso, dessa conexão e proteção, já que talvez tenha gente que viva muito bem e obrigada sem nada disso.
Pode ser mesmo que não haja nenhuma necessidade, mas eu me boto a pensar...
Pensa em você estar em uma casa que não conheça o dono. Ou ainda, que esteja lá, sem querer se relacionar com ele.
Você escuta rumores de que ele é um ótimo pai, amigo e protetor, mas nunca o viu, ou ele não é para você.
Certamente você sofre e não se sente confortável aqui nessa Terra.
Então é por isso que ofereci essas dicas, e dou mais uma: se for mais confortável, o humanize.
Coloque-o sobre a forma da melhor pessoa que você se relacionou. E se você não pode alcançar esse amor na figura da sua mãe ou pai, experimente pegar emprestado a mãe ou pai daquela amiga, prima ou de alguém que te pareça mais adequado para essa tarefa.
O ser humano é relacional, é difícil manter contato com um Deus distante.
Eu penso muito na Deusa mãe, Mãe natureza e em todos os movimentos desta como parte de mim.
Simplifique sua relação com ele.
Acho que esse é o grande objetivo do livro/filme.
Tem um livro, chamado As mulheres de Freud, que diz inclusive que ele gostaria de ser reconhecido como a mãe da psicanalise, uma vez que em todas as vezes que chegou perto ou conseguiu o que chamamos de cura, ocupava no setting terapêutico o lugar transferencial de mãe, e não de pai.
Bom, após tudo isso, quero dizer que sempre que eu devaneio com alguém, eu digo que se lhe servir que você guarde, senão que você jogue no vento.
Embora seja um tema delicado para estabelecer uma conversa, visto que somado a ele estão crenças coletivas e pessoais influenciando essa compreensão, eu quis dividir um pouco da minha compreensão e maneira de me relacionar.
Isso é pessoal mesmo, e eu divido com vocês como quem diz, pode ir lá abraçar a mãe, ela é tão legal, vai te dar um abraço gostoso e você vai se sentir melhor.
Meu texto é composto de um desejo que todos possam experimentar essa bem aventurança e paz.
E por último, faço minhas as palavras de Ariano Suassuna:
"Se eu não acreditasse em Deus, seria um desesperado."
E para quem desejar, aqui está o vídeo curtinho onde ele diz isso e que sempre vale a pena rever.
https://www.youtube.com/watch?v=Beq961fusnk
Deixo também um pedacinho da "minha" chuva e paz.
Boa semana!
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