Sobre ser tia e quase tia, em plena segunda!

Segundona brava!

Dia internacional da preguiça e do recomeço (eu particularmente vou pensar em recomeçar lá pras 19horas)!

Acontece um fenômeno incrível comigo nas segundas:

Bom, normalmente eu uso muito meu corpo e cérebro aproveitando o fim de semana, o que gera um trabalho extra para meus músculos, neurônios e sistema em geral.

Devido a isso existe uma escala de revezamento.

Às segundas 50% dos meus neurônios recebem folga, e eu tenho que continuar funcionando com metade do contingente. É péssimo, pra se ter uma noção... é pior que repartição pública no Brasil na semana entre natal e ano novo, ou na quinta e sexta pós carnaval!

Um vazio só, e quem tá lá tem um "ar sobrecarregado", mas na verdade tá entojado porque caiu na escala e teve que ir trabalhar, em virtude disso faz pirraça, não trabalha e o resultado em mim acaba sendo, eu não lembrar imediatamente itens básicos como meu email ou CPF, ou ainda ter que fazer uma oração e meditação a cada vez que tento levantar, evocando todos os deuses pra essa tarefa.

É punk, e se você foi meu paciente e era atendido de segunda não fique ressentido, pelo contrário, pense em como eu te amava pra superar tudo isso e estar lá com você hahaha

Além disso, você certamente me viu com meu baldinho de café, que era um reforço extra para minimizar a catástrofe e me deixar em condições médias de funcionamento.

Pois bem, sendo assim, hoje é segunda. Não acordei com o marido, não tomei café com ele e nem caminhei cedo.

Dormi de novo as 7 e acordei as 10, mas nesse intervalo aconteceu uma coisa linda.

Sonhei com meus sobrinhos.

Na verdade tenho um sobrinho de 3 anos e vai chegar uma sobrinha a qualquer momento.

Ela está na coxia, aguardando para estrear a qualquer momento.

Estamos todos naquela sensação de expectativa, quando a luz do teatro apaga e não sabemos quando nem de onde vai sair a claridade ou ruído que inicia o espetáculo.

Eu queria estar sentada bem pertinho do palco, mas estou em um daqueles camarotes que embora caros e com visão ótima, são longes.

E essa coisa de ser tia é um trem muito doido.

Jesus Cristo! Que mistura de sentimentos e que empolgação!

Eu fui mãe antes de ser tia, então quando as minhas irmãs falavam desse amor eu não conseguia fazer uma ideia correta do que se tratava.

Minhas irmãs por sua vez também tiveram uma relação diferente com minha primeira filha, elas eram crianças quando ela nasceu, então ficou uma relação meio bagunçada, de tia, pela minha presença como mãe, mesmo sendo muito jovem, mas também de irmãs ou amigas pela diferença de idade pequena entre elas. Com o passar do tempo elas foram entrando nesse papel e hoje a relação é bem de tia, tanto com ela quanto com o meu mais novo, que quando nasceu já tinha essas tias testadas e aprovadas, cheias de amor pra dar.

O intervalo entre os meus dois foi de 9 anos, então nossa família estava carente de ter um bebê e tudo de delicia que vem com isso.

Entre o meu mais novo e meu sobrinho foram 7 anos, novamente estávamos sem bebê e ele foi um presente. Ali nasceu a Marielen tia, (Xixi Maieien como ele costuma me chamar).

Treinei muito ele, desde bebê pra falar meu nome e chamar de titia. Não gostava de titia Má, então treinava titia Boa. Deu certo!

Esse amor é um amor diferente do dos nossos filhos, delicado e educado por respeitar as decisões e deliberações de cuidado de uma outra pessoa. Mas eu ouso dizer, que no jeito de amar, na vontade de pegar, cuidar e proteger e de dar o mundo, não difere em nada.

Claro, que isso deve ser influenciado pela nossa relação com a irmã ou irmão, mas ao mesmo tempo tem algo que transcende isso e te liga diretamente com aquele serzinho.

Tem coisas que ele provavelmente só vai fazer com você e hábitos que vai herdar e continuar.

Vejo isso nos meus filhos e desejo que assim seja com meus sobrinhos.

Minha filha tem um estilo bastante diferente do meu, e as vezes ela mesma anuncia que uma das minhas irmãs ficaria orgulhosa de vê-la de tal maneira, com alguma roupa, enfim.

Se elas saírem pra mesma loja, com as mesmas coisas, mesmo separadamente talvez comprassem as mesmas coisas, guardadas é claro as diferenças de tamanho e geração (mas nem tanto assim, se bobear essa minha irmã usa igual mesmo kkkk).

Já meu filho, torce pro Palmeiras a despeito do Corinthians do meu pai e marido, influenciado pelo cunhado, pai do sobrinho inclusive.

Enfim, acho também que esse amor é tão lindo inclusive devido a esse respeito a hierarquia e presença dos pais.

Amamos, cuidamos, protegemos, passamos todas as receitas que conhecemos quando ficam doente, rezamos e presenteamos com tudo o que podemos. Mas tios que somos ficamos na torcida e bastidor muitas vezes, desejando que os pais façam o melhor e inclusive exercitando a confiança e respeito ao fato de que eles sabem o que é esse melhor, pra cria deles.

Também é um amor leve, porque não precisamos educar, pelo menos não o tempo todo, e assim desfrutamos mais das bagunças e confidências.

Voltando ao meu sonho lindo, estávamos todos deitados na minha cama, aqui de College, de atravessado como eu costumava mesmo fazer pra caber todos. Eu no meio com minha irmã do lado, ela tinha a pequena deitada no peito/barriga, vi a carinha dela (linda, linda) e senti a respiração dela, aquele hálito de bebê tão delicioso. Do outro lado o pequeno sobrinho tava deitado no meu ombro ganhando carinho na gaíba (barriga) da minha filha, e rindo vez ou outra com meu filho que tava do outro lado perto da pequena.

Uma cena que com certeza aconteceria se estivéssemos juntos, e que serve de acalento e mata um pouco a vontade de estar com eles, principalmente com a minha irmã nesse momento tão especial em que voltamos a safra das meninas!

Então por hoje, valeu a preguiça e a folga dos neurônios, que me proporcionou esse sonho delicioso.

Freud dizia, que para além das questões neurológicas do sonho, que estes também eram a realização de desejos inconscientes.

Esse foi realização de desejo com certeza, só não era inconsciente... foi presente.

Pela dádiva das imagens e sensações e pelo quanto parecia real.

E aproveitando que é segunda, acho que jajá eu vou dormir mais um pouco, vai que eu sonho de novo hahaha







Comentários

  1. Ser tia... realmente é muita emoção. Imagine para quem não é mãe?

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  2. Ual, segundas são segundas! E ser tia, bom sou tia desde os meus 03 anos, mas conheci esse lado de tia agora, com 31 anos quando a minha sobrinha teve suas filhas...já sou tia avó, olha que delicia! amor amor amor!
    Lindo texto!

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