Continuando...

Então eis que voltei pra escrever mais um pouco...

Não tenho noção sobre a frequência que irei escrever, como estou na onda férias por tempo indeterminado, eu resolvi que vai ser sempre que quiser e puder. Querer e poder nem sempre andam juntos né. No entanto, querer muito muito muito, faz a gente encontrar um jeito de poder... então hoje minhas 24 horas vão ter que abrir mais um pouquinho pra caber mais coisa, e tudo bem, isso não é novidade pra mim, na verdade a novidade é o contrário.

Fiquei pensando sobre o que escreveria nesse segundo post, é muito esquisito esse trem de conversar com ninguém e com um monte de gente ao mesmo tempo. Eu não sei quem lê, quando lê, nadinha, a não ser pelas estatísticas e relatórios do blogger, que aliás isso é um puta assunto. Jesus! Que trabalheira esse trem de blog, escrever é a parte delícia. Eu levei mais ou menos 1/10 do tempo para escrever e os outros 9/10 desse tempo editando o blog, aparência, fonte, são muitas opções e eu não tenho muita habilidade para isso, mas estou aprendendo.

Voltando ao que falar, duas coisas rondaram meu pensamento desde ontem quando comecei isso e esse é meu trato, falar do que me ocorre (seja interno ou externo).

A primeira, é sobre a reação das pessoas quando eu digo que comecei um blog.

Muito engraçado, mas mais que isso, chega a ser hilário.

A maioria foi pego de surpresa, inclusive minha família do Brasil. Algumas poucas amigas (aquelas três lá sabiam do plano) e aqui em casa eu já havia lançado uma sementinha, num dia na hora do jantar, igual filho pensando em fazer arte... rapidinho e baixo: - Então gente, tôpensandoemfazerumblog. Rolou um silêncio, expliquei mais ou menos como era pro marido e filho, a filha olhou torto mas em silêncio, eu eu pensei, beleza, passou! E então ontem foi.

O efeito surpresa é a melhor forma de pegar o ser humano in natura, na sua reação mais legitima e pura, e como foi surpresa geral daí vem a graça e o ser hilário. Ouvi de tudo, desde que serei a próxima Paulo Coelho (há controvérsias sobre isso ser bom hahaha), até que era louca de pedra.

Se tem um exercício necessário a saúde mental é se importar menos com a opinião alheia, seja ela boa ou ruim, porque afinal, quando muito boa te leva pra um lugar que talvez não seja real e quando muito ruim te leva pra um lugar que talvez também não seja real. Sobre esse tal exercício aí, estou tentando e vamos caminhando. Como eu sempre digo, nada como um dia atrás do outro com uma noite no meio.

A outra coisa que me rondou, foi sobre recomeços. A minha proposta pessoal é falar de coisas que venham, numa espécie de ressonância entre minhas vivências, pensamentos e o que as pessoas me trazem, e por hoje funcionou.

Conversei com algumas pessoas (todos do Brasil, nem é tão ruim assim tanta tecnologia), e hoje todo mundo resolveu me falar sobre recomeçar. Uma que estava recomeçando, outro que precisava recomeçar e não sabia por onde, e outra ainda que tinha recomeçado três vezes e ainda não tinha dado certo. Tava indo recomeçar de novo.

Pára, que eu tava pensando justamente sobre isso. E dá licença, que estou me sentindo super habilitada pra falar de recomeço e mudanças.

Aqui são tantas que tá difícil escolher uma, mas creio que a que mais mexeu comigo foi a quebra de ritmo.

Pensa, de uma quase (quase é bondade minha comigo) workaholic para férias por período indeterminado. Nesse intervalo cabe aprender uma cultura nova, começar treino novo (de verdade), retomar contato com trocentas pessoas, aprender achar no mercado tudo que você precisa, dar uma surtadinha, aprender a dirigir aqui, acostumar com clima, com povo, com ter gente com você o dia inteiro (em casa), cabe um mais um surtinho, uns livros, uma série, um celular novo pra aprender a mexer, 29 novos aplicativos para usar (sim, eu contei) e por aí vai. E não, não tem receita. Infelizmente ou graças a Deus.

Dia a dia e inteireza. Tempo e presença. Paciência e persistência.

Uma nova ação ou comportamento leva em média 21 dias para ser internalizado como hábito. Novas sinapses acontecem mediante a repetição de uma ação ou pensamento, e isso é o povo da neuro que diz.

Então o único jeito é esse, começar e continuar. Continuar e continuar. Se não der começar de novo.

Eu honestamente, acho que o continuar é mais difícil ainda que continuar. Porque se pararmos pra pensar, começamos muitas vezes e continuamos bem menos.

Por aqui, eu uso o outro pra me ajudar. Precisamos de ferramentas.

Por exemplo, O treino. Eu preciso treinar. Preciso, mesmo.

1 - Meus jeans avisavam desde o Brasil e aqui eu tive tempo de ouvir e tentar fazer algo sobre.
2 - Tenho uma professora Xiita (e Deus me proteja se ela estiver lendo isso), que teve um super trabalho de preparar um treino, adequado a minhas demandas e filmar tudo pra mim. De graça e no fim de semana dela.

Como eu, posso ter preguiça de cumprir?! Não tenho essa opção, mas isso é só um exemplo (bom), porque treinar pra mim (e pra muita gente) é muito difícil.

E aí fiquei pensando na não opção das pessoas em relação aos recomeços. Não recomeçar/começar não é uma opção.

A estagnação não leva a nada, ou leva as mesmas coisas conhecidas (que lembra, a gente não aguenta mais).

Então, recomeça ou recomeça.

Tem uma frase, cuja o autor eu não estou certa que diz mais ou menos assim: "Quando a dor de permanecer o mesmo, for maior que a dor de mudar, o ser muda." O povo atribui a Freud, segundo o Google. Eu tenho lá minhas dúvidas, não lembro de ter lido isso direto na fonte dele, mas o conteúdo é bom e tá valendo.

Nem todas as mudanças e recomeços são escolhas, eu entendo que não. Nem todas vem de fora, mudam nosso espaço ou tempo.

Existe também um tempo de lamento pelas possíveis perdas e pela trabalheira que é anterior a tal força aparecer para qualquer reação; mas passado isso é a melhor coisa que pode acontecer.

E de verdade, com a renovação vem um ar fresco, um frio na barriga, uma incerteza, um ar de alegria ingênuo da descoberta, um trem infantil de expectativa que eu desejo a todos. De coração.

E é um perigo, porque experimentando a gente corre o risco de gostar.

Por ultimo, (eu queria ser breve, eu juro) mas parece que não deu.

Algumas pessoas disseram que parecia que estavam do meu lado, falando comigo, e eu queria muito isso, que eu estivesse de fato nessas palavras e espaço.

Então também é isso, uma oportunidade de matar a saudade, um encontro que vai mexendo comigo aqui e também por aí.

Pra vocês acontece quando leem. Pra mim enquanto estou pensando e escrevendo e ainda um pouco depois quando me chamam pra falar.

E como eu adoro um movimento, vamos lá.





Comentários

  1. Já acabou! Ah já percebi que vc q vai autorizar os comentarios... Não se preocupe de autorizar meus comentários... achei ótimo não precisar pensar pra postar... caraca tá muito legal... tô ouvindo sua voz!!!

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